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Linha Direta

Aniversário de 75 anos de liberação de Auschwitz em Israel é marcado por disputas políticas

Áudio 06:12
O presidente israelense Reuven Rivlin ao lado dos líderes mundiais que participam das solenidades que lembram o fim do Holocausto, iniciadas nessa quarta-feira 22 de janeiro de 2020.
O presidente israelense Reuven Rivlin ao lado dos líderes mundiais que participam das solenidades que lembram o fim do Holocausto, iniciadas nessa quarta-feira 22 de janeiro de 2020. Heidi Levine/Pool via REUTERS

Cerca de 50 líderes mundiais estão reunidos em Jerusalém nesta quinta-feira (23) para lembrar os 75 anos da liberação do campo de Auschwitz que simboliza o fim do Holocausto. Milhares de policiais e outras forças de segurança foram mobilizados para a solenidade, considerada como a maior reunião política da história do país. Mas a lembrança do genocídio de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial - além de ciganos, homossexuais e outras minorias e presos políticos – parece estar sendo ofuscada por polêmicas, incidentes e disputas diplomáticas.

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O 5° Fórum Mundial do Holocausto, que começou nessa quarta-feira (22) e termina nesta quinta-feira, lembra os 75 anos da libertação de Auschwitz-Birkenau, o mais infame campo de extermínio nazista, onde mais de 1,1 milhão de pessoas, a grande maioria judeus, foram assassinadas de 1942 a 1945. Desde 2005, o Dia Internacional do Holocausto é lembrado em 27 de janeiro, data da liberação de Auschwitz por forças russas.

O evento em Israel não é completamente oficial. Ele é financiado pelo milionário judeu russo Moshe Kantor, presidente do Congresso Judaico Europeu. Mas o presidente de Israel, Reuven Rivlin, se envolveu ao convidar cerca de 50 líderes e delegações mundiais para lembrar a data e condenar o antissemitismo pelo mundo.

Entre os convidados estão o presidente russo Vladimir Putin, o vice-presidente americano Mike Pence, o presidente francês Emmanuel Macron, o Príncipe Charles e o Rei da Espanha Felipe VI, entre outros presidentes, primeiros-ministros e dignitários.

Bate boca de Macron

Mas incidentes e disputas diplomáticas marcam o evento. Nesta quarta-feira, por exemplo, o presidente francês, Emmanuel Macron, discutiu com os agentes do serviço de segurança de Israel que faziam sua segurança durante uma visita à Cidade Velha de Jerusalém. Ele foi filmado dizendo em inglês aos agentes que eles não podiam acompanhá-lo dentro da Igreja de Santa Ana, perto da Via Dolorosa, na Cidade Velha.

“Saiam, por favor! Respeitem as regras que existem há centenas de ano e não vão mudar agora. Que ninguém faça provocações. Vamos ficar calmos”, gritou Macron aos agentes diante da igreja, que pertence à França desde 1856, quando foi doada ao Imperador Napoleão III pelo Império Otomano, em agradecimento pelo apoio francês na Guerra da Crimeia.

O desentendimento foi muito parecido com o que aconteceu em 1996, quando o ex-presidente francês Jacques Chirac visitou a mesma igreja, em Jerusalém. Chirac se recusou a entrar até que os agentes de segurança israelenses saíssem e até ameaçou voltar para a França por considerar que os seguranças o estavam pressionando.

Desta vez, Macron se desculpou com os agentes e continuou com a agenda normalmente. Ele foi ao jantar oferecido por Rivlin aos convidados, durante o qual o presidente israelense pediu a todos que se esforcem para lutar contra o antissemitismo, que tem aumentado pelo mundo, e contra o racismo em geral.

Ausência do presidente polonês

Além deste incidente, o encontro de 50 líderes e delegações mundiais tem assinalado questões da política externa atual. A maior polêmica é a ausência do presidente da Polônia, Andrzej Duda, já que a Polônia foi o país onde mais judeus morreram e onde havia mais campos de concentração nazistas, além do famoso Gueto de Varsóvia.

Duda se desentendeu com Israel e com a Rússia sobre a polêmica questão da responsabilidade polonesa em relação ao Holocausto e ao avanço dos nazistas. Recentemente, Putin afirmou não só que houve cooperação entre poloneses com o ditador alemão Adolf Hitler, como acusou a Polônia de responsabilidade pelo começo da Segunda Guerra Mundial.

O presidente polonês, que repudia a atual ocupação russa da Crimeia, não quis, então, participar de um evento com a presença de Putin, e sem que pudesse discursar e defender seu país. Tanto Polônia quanto Rússia tentam se impor como países que ajudaram na derrota ao nazismo, e não na ascensão de Hitler.

Fora isso, Israel criticou muito uma lei aprovada no ano passado na Polônia que criminaliza quem acusa os poloneses de terem cooperado com o nazismo.

Presença de Putin afasta outros líderes

A presença de Putin como convidado especial do Fórum também levou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a desistir de participar do evento. Sua ausência foi anunciada apenas hoje e sua assessoria alegou que Zelensky decidiu ceder os ingressos de sua delegação a sobreviventes do Holocausto, que reclamam por não terem sido convidados. Há cerca de 192 mil sobreviventes em Israel, um terço deles vivendo abaixo da linha da pobreza.

Mas, segundo analistas israelenses, o presidente ucraniano não quis participar do evento por causa da presença de Putin. Os dois países estão em conflito desde a invasão russa da Crimeia, em 2014, e anexação da região, em 2016.

Israel, que é aliada tanto de Putin quanto dos EUA do presidente Donald Trump, tenta manter bom relacionamento com todos. Internamente, os olhos se voltaram para a presença de Putin pela esperança de que ele anunciasse a anistia a uma presa israelense, assunto que está causando comoção em Israel há quase um ano. A presa é a jovem Naama Issaschar, que foi condenada a 7 anos e meio de prisão, mesmo tendo sido detida no aeroporto de Moscou com apenas 10 gramas de marijuana.

Mas, em vez de anunciar a anistia, Putin apenas afirmou, em entrevista coletiva com a presença da mãe de Naama, que “tudo ficará bem”. Não há informações de que a jovem será liberada em breve. Para o primeiro-ministro Netanyahu, no entanto, isso seria o maior ganho político do evento às vésperas de mais uma eleição no país, em 3 de março.

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