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China/vírus

Coronavírus: situação preocupa e exige atenção, diz virologista

O virologista Pedro Vasconcelos recebendo a ordem do Mérito Médico da Presidência da República
O virologista Pedro Vasconcelos recebendo a ordem do Mérito Médico da Presidência da República (Foto: Arquivo Pessoal)

A RFI conversou com o virologista Pedro Vasconcelos sobre o novo vírus que surgiu na cidade de Wuhan, na China, vem se espalhando pelo mundo e já deixou 26 mortos.

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Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça

O coronavírus começou na China, onde já matou 17 pessoas, mas já chegou a outros oito países. Para o professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Pará, considerado um dos maiores virologistas do mundo, a situação é preocupante e exige atenção, “mas não chegou ao extremo”. É como se o sinal amarelo tivesse acendido.

“Eu diria que a situação do zika foi aquela que deu sinal vermelho. Hoje, essa situação do coronavírus seria aquele sinal amarelo, o alerta, vai fechar, pode piorar, mas pode ser que fique verde”, afirma ele, que foi pioneiro no Brasil no estudo do zika. O virologista diz que a situação é delicada, “mas nós ainda não temos condições, porque não temos dados científicos, para garantir que a situação vai piorar ou que vai parar, ficar por aí onde está”.

“É preciso mais informações científicas. Só com o tempo que nós teremos essas informações”, diz Vasconcelos que, em 2016, na época do zika, representou o Brasil no comitê de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) que acompanhava o assunto.

“O mundo todo não está preparado”, diz virologista

Questionado pela RFI sobre se o Brasil estaria preparado para enfrentar a chegada desse vírus, o especialista disse que não. Mas não só o Brasil. “Eu acho que em qualquer país onde ocorra a introdução de um vírus exótico é sempre preocupante, vide o exemplo do zika, do chicungunha, para citar os casos das Américas, principalmente do Brasil. Eu diria que nenhum país está preparado para enfrentar um vírus novo com uma gravidade muito intensa, não só o Brasil. Acho que o mundo todo não está preparado”.

Como o Brasil poderia fazer para se preparar para isso? Uma das maneiras, segundo o professor, é aumentar a vigilância epidemiológica. Mas há outras. “Já vi notas do Ministério da Saúde fazendo alerta, divulgando o que se sabe sobre o quadro clínico, os métodos diagnósticos. Essa é uma forma. A outra é alertando a população de modo geral que, caso venha ocorrer de pessoas com quadro suspeito, principalmente viajantes, que tenham ido à China ou outros países com transmissão, de rapidamente procurar as autoridades de saúde para fazer a notificação. E isolar, claro, o paciente, durante o período de transmissão, que são os primeiros cinco dias da doença”, afirma.

Segundo ele, a situação preocupa porque é um vírus novo para o qual não temos vacina, por exemplo. Mas esse é só um dos problemas. “A forma de dispersão que, no início, parecia não ser tão clara de transmissão pessoa a pessoa parece que está mudando, com a dispersão de casos em outros países e o aumento do número de casos em Wuhan. Então, a preocupação tem fundamento com base nesses desconhecimentos e ausência de vacina, de tratamento, do mecanismo de transmissão, da taxa de letalidade do vírus e sua capacidade, que ainda é desconhecida, de transmissão interumana”.

No caso do coronavírus, para se falar em epidemia, o especialista diz que seria preciso ter nos países que tiveram confirmação do vírus, além dos casos importados, os autóctones, ou seja, casos de transmissão local nos países para aí, sim, ser considerado uma epidemia. “Mas a China, não. A China está vivendo uma epidemia com o novo coronavírus”, afirma Vasconcelos, também presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Para a OMS, o coronavírus ainda não é emergência internacional de saúde. O especialista acha que a OMS está se municiando de informações antes de dar ou não um posicionamento definitivo de uma emergência internacional.

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