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China/Coronavírus

Morte de médico que lançou alerta sobre coronavírus causa forte indignação na China

Chineses deixam buquês de flores e mensagens diante do Hospital Central de Wuhan, em homenagem ao médico Li Wenliang, que faleceu na quinta-feira (6), após contrair o coronavírus.
Chineses deixam buquês de flores e mensagens diante do Hospital Central de Wuhan, em homenagem ao médico Li Wenliang, que faleceu na quinta-feira (6), após contrair o coronavírus. STR / AFP

Ele foi um dos primeiros a lançar o alerta sobre a existência de uma pneumonia viral no país, no final de dezembro do ano passado. O oftalmogista Li Wenliang, de 34 anos, morreu na quinta-feira (6) em um hospital onde estava internado em Wuhan, epicentro das contaminações. Seu falecimento gerou uma onda de indignação no país.

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Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim

"Não esqueçamos jamais o doutor Li, esse médico que ousou falar de uma doença na época em que era classificada apenas de 'rumor'", diz uma das publicações nas redes sociais chinesas. As mensagens de homenagem ao oftalmologista se multiplicaram na quinta-feira, logo o após o anúncio sobre sua morte, acompanhadas do hashtag "Queremos liberdade de expressão".

As publicações escaparam do controle dos censores e começaram a circular antes mesmo da confirmação do falecimento de Li Wenliang pelo Hospital Central de Wuhan. Poucas horas depois, a instituição divulgou um comunicado, confirmando que o médico "teve a infelicidade de ter sido infectado durante a luta contra a epidemia de coronavírus.

"Expressamos nossa profunda tristeza e nossas condolências", afirmaram os colegas do oftalmologista na conta oficial do hospital na rede social Weibo. Na entrada da instituição, fotos e flores são depositadas em homenagem ao médico.

Paralelamente uma avalanche de imagens de velas foi registrada nas últimas horas nas redes sociais, mas as publicações são pouco a pouco apagadas pelos censores. Em outra imagem que viralizou, um internauta escreveu em letras gigantes na neve "adeus, doutor Li". Para os chineses, o médico que chegou a ser detido por alertar sobre o risco de uma possível epidemia não deve ser esquecido. "Queremos o pedido de desculpas da parte do governo e da polícia de Wuhan", exigem.

Acusado de propagação de boatos

No final de dezembro, o oftalmologista foi convocado pela polícia, que o acusou de propagar boatos junto com outras setes pessoas. Logo depois, Li Wenliang contraiu o coronavírus ao tratar de um paciente contaminado. Agora é considerado ídolo nacional, enquanto o governo é acusado de ocultar informações sobre a doença. "É um herói que fez o alerta e pagou com sua vida", afirmou um de seus colegas em outro post no Weibo.

A comissão anticorrupção do Partido Comunista Chinês anunciou que enviou investigadores a Wuhan nesta sexta-feira (7). As autoridades locais podem ser responsabilizadas por terem tentado calar outros vários cidadãos que tentaram avisar sobre a propagação do coronavírus. No entanto, não há nenhuma certeza que isso possa acalmar os ânimos.

636 mortos desde início da epidemia

Duas semanas depois do início da quarentena em Hubei, província onde surgiu a pneumonia viral, a doença infectou 31.161 pessoas na China continental, causando 636 mortes, de acordo com o balanço mais recente divulgado pelas autoridades. Apenas nas últimas 24 horas, o vírus deixou 73 vítimas fatais, 69 delas na província de Hubei.

De acordo com o relatório, também foram diagnosticados 3.143 novos casos da doença. Mais de 4.800 estão em estado grave.

No restante do mundo foram confirmados 240 casos de contágios em quase 30 países e territórios, dois deles fatais, um em Hong Kong e outro nas Filipinas. Milhares de turistas a bordo de três cruzeiros estão bloqueados na Ásia pela detecção do vírus a bordo de seus navios.

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