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Coronavírus/Japão

Epidemia de coronavírus: passageiros confinados em navio se sentem como “animais enjaulados”

Passageiros em uma varanda do navio de cruzeiro "Diamond Princess", ancorado ao largo de Yokohama, no Japão.
Passageiros em uma varanda do navio de cruzeiro "Diamond Princess", ancorado ao largo de Yokohama, no Japão. Mandatory credit Kyodo/via REUTERS

Cerca de 3.700 passageiros e integrantes da tripulação continuam em quarentena no navio de cruzeiro “Diamond Princess”, aconcorado na costa japonesa. Entre eles, dois brasileiros que trabalham na embarcação. Segundo o último balanço, 64 casos de coronavírus foram confirmados e levados para hospitais japoneses. Os passageiros, por questões de segurança, estão confinados em suas cabines e se sentem como “animais enjaulados”, escreve a enviada especial da RFI a Yokohama, Angélique Forget.

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Com a descoberta de novos casos, a quarentena imposta ao Diamond Princess no início do mês pode durar ainda mais dez dias, isto é até 19 de fevereiro. Impedidos de circular pelo navio, os passageiros confinados em suas cabines têm que encontrar coisas para passar o tempo. Mathieu Smith, um americano de 57 anos, não tem muitas opções de lazer na cabine de apenas 20 m². “Eu leio, vejo televisão, filmes, e passo muito tempo nas redes sociais, conversando com os amigos. Eles me apoiam e isso me faz bem”, conta o turista à reportagem da RFI.

Mathieu Smith faz parte dos passageiros sortudos, que têm uma varanda na cabine e pode tomar ar fresco e ver o movimento do lado de fora do navio. Foi num desses momentos, que ele assistiu na manhã deste domingo (9) uma cena surpreendente. Cerca de dez jet skis fizeram um espetáculo de “dança” para animar e apoiar os passageiros confinados a bordo. “Eu ouvi uma música, como se estivesse acontecendo uma festa do lado de fora. Os jet skis rodopiavam na água. Foi surrealista. Me senti como um animal enjaulado. As pessoas vieram nos observar e também fazer uma espécie de show. Foi muito bizarro”, relata o americano rindo, apesar da situação.

Assim que conseguir sair do navio, o advogado de Sacramento, na Califórnia, garante que vai aproveitar de sua liberdade e passear em lugares bem maiores do que a varanda de sua cabine.

Vigias no corredor

Muitos passageiros do “Diamond Princess” não têm nem varanda, nem janelas, e a sensação claustrofóbica é bem maior. Para tomar um pouco de ar, eles tentam sair, mas são impedidos por vigias que foram colocados nos corredores do navio.

Entre esses vigias, está o brasileiro Thiago Camos Soares. Ele contou ao jornal O Globo que trabalhava no shopping, que foi fechado por causa da quarentena, e foi deslocado para vigilância dos corredores. Outro brasileiro a bordo é Thiago Bortolan que trabalha na cozinha.Todos, passageiros e tripulção, têm que usar máscaras de proteção.

O Japão proíbe agora qualquer navio de cruzeiro com um doente a bordo de atracar no país.

Avanço da epidemia

O coronavírus continua a se propagar na China e no mundo. A pneumonia viral matou 813 pessoas, sendo apenas duas fora da China, superando o balanço mundial da epidemia de Sras, em 2002-2003. A doença já contaminou mais de 37 mil e 500 pessoas; 320 casos foram confirmados em cerca de 30 países, sendo 11 na França.

Um terceiro grupo de franceses repatriados de Wuhan, berço da epidemia do coronavírus, chegou à França neste domingo (9). As 35 pessoas foram levadas para um local de Aix en Provence, no sul do país, onde 80 outros repatriados já estão em quarentena, e ficarão confinadas por 14 dias. Ao todo, quase 350 pessoas repatriadas da China estão em quarentena na França. Os testes indicam que não elas não foram contaminadas.

O último grupo de franceses pegou carona em um avião fretado pelo Reino Unido que aterrissou neste domingo, perto de Londres, com cerca de 200 europeus a bordo, a grande maioria de britânicos. Os 34 brasileiros repatriados da China, que desembarcaram hoje na Base Aérea de Anápolis, também estão bem e assintomáticos.

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