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China/Coronavírus

"Declínio da epidemia de coronavírus pode começar no fim de fevereiro", sugere especialista americano

Homem de máscara caminha em rua praticamente deserta em frente ao Banco Central da China, em Pequim.
Homem de máscara caminha em rua praticamente deserta em frente ao Banco Central da China, em Pequim. ©REUTERS/Jason Lee

Os chineses voltam das férias nesta segunda-feira (10), após o recesso de duas semanas do Ano Novo Lunar, sob o temor do agravamento da epidemia do coronavírus. Pela primeira vez, o presidente Xi Jinping apareceu em público com o rosto coberto por uma máscara protetora. Uma equipe de especialistas internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) chega ao país para investigar a doença.

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Stéphane Lagarde*, correspondente da RFI em Pequim

O coronavírus já deixou 909 mortos e contaminou mais de 40.235 pessoas na China. Apesar do avanço da epidemia, as autoridades chinesas demoraram quase duas semanas para aprovar os nomes da equipe da OMS que chega hoje ao país, liderada pelo epidemiologista canadense Bruce Aylward. Ele é conhecido por sua atuação no combate ao Ebola na África.

A delegação da OMS deve observar o impacto das medidas tomadas pelo governo chinês e, em particular, a estratégia de confinamento das cidades para tentar conter a propagação do vírus. Se essas medidas funcionarem, o pico da epidemia poderá ocorrer antes do final do mês, afirma o médico americano Ian Lipkin, um dos maiores especialistas na identificação de novos vírus.

"Esta é uma crise sem precedentes, que tem um enorme impacto na vida das pessoas e na economia. Parte dos chineses retornará ao trabalho nesta semana e na próxima, e depois voltarão à escola. Considerando os 5-7 dias de incubação e se as medidas de quarentena funcionarem, podemos esperar um declínio da epidemia no final de fevereiro", explica Ian Lipkin, que acaba de voltar a Nova York após uma missão em Canton, na província de Guangdong.

De qualquer forma, para evitar novas contaminações, muitos assalariados em Pequim foram convidados a trabalhar em casa. Para aqueles que precisam se locomover, as restrições de tráfego foram suspensas para evitar o uso do transporte público. A televisão estatal chinesa informou, hoje, que o movimento no metrô estava em queda de 50%.

Presidente chinês sai de máscara de proteção

Por medo de pegar a pneumonia viral, a grande maioria dos chineses vem cobrindo o rosto há semanas, mas o homem forte do regime comunista tinha evitado até agora adotar essa precaução. Nesta segunda-feira, imagens da televisão estatal veiculadas nas redes sociais mostram Xi Jinping usando uma máscara de proteção azul, enquanto conversa à distância com moradores de um bairro de Pequim. O vídeo também mostra o presidente chinês medindo sua temperatura com a ajuda de um termômetro eletrônico.

Apesar das medidas drásticas adotadas em meados de janeiro para evitar a propagação do coronavírus, o governo tem sido criticado por ter abafado os primeiros sinais de alerta sobre a nova pneumonia. A morte do oftalmogista Li Wenliang, 34 anos, na quinta-feira (6), um dos primeiros a prevenir as autoridades, gerou uma onda de indignação no país.

Apenas no domingo (9), mais de 3.000 novos doentes foram diagnosticados. Várias regiões do país, como Hubei – epicentro da epidemia –, continuam sob quarentena. Escolas permanecem fechadas e muitas empresas optaram por manter seus empregados em casa. Porém, em muitos setores, a volta ao trabalho será inevitável.

Novos casos em navio de cruzeiro

No navio de cruzeiro Diamond Princess, em quarentena e estacionado perto de Tóquio, outras 60 pessoas foram contaminadas, aumentando para cerca de 130 doentes na embarcação. Cerca de 3.700 passageiros e tripulantes estão a bordo.

Nesta manhã, o governo britânico classificou o coronavírus como "uma ameaça grave e iminente à saúde pública" - uma medida que permitirá às autoridades terem acesso a novos meios para conter a propagação da doença.

Fora da China continental foram confirmados mais de 350 casos de contágio em 30 países e territórios. Até agora, não há casos de coronavírus confirmados na América Latina e na África.

* Com informações de agências internacionais

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