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Rússia/Turquia/Síria

Presidente turco ameaça atacar as forças de Bashar al-Assad na Síria

O presidente Recep Tayyip Erdogan ameaçou atacar as forças do regime sírio em caso de novas agressões contra os soldados turcos na Síria.
O presidente Recep Tayyip Erdogan ameaçou atacar as forças do regime sírio em caso de novas agressões contra os soldados turcos na Síria. ADEM ALTAN / AFP

Os recentes ataques das forças do regime sírio contra tropas turcas mobilizadas na região de Idlib, nordeste da Síria, provocam uma perigosa escalada da tensão na região. Nesta quarta-feira (12), o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou o regime sírio de retaliações em caso de novas agressões. A situação também provocou desentendimentos entre Ancara e Moscou, que apoia as forças de Bashar al-Assad.

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Com informações dos correspondentes da RFI em Istambul, Anne Andlauer, e em Moscou, Daniel Vallot

Durante uma conversa pelo telefone nesta quarta-feira, os presidentes russo, Vladimir Putin, e turco, Recep Tayyip Erdogan, declararam que querem a adoção imediata e completa do acordo que visa o fim das hostilidades entre os dois países na Síria, principalmente no nordeste do país. Esse acordo foi assinado em 2018, em Sotchi.

Nos últimos dias, as forças turcas e sírias se enfrentaram violentamente na região de Idlib, onde o regime de Bashar al-Assad, apoiado por Moscou, realiza há um mês uma grande ofensiva contra jihadistas e rebeldes. Apesar do tom diplomático da conversa telefônica entre Putin e Erdogan, o presidente turco fez um discurso de guerra para os parlamentares de seu partido, ameaçando atacar as forças do regime sírio “em qualquer lugar”, se as tropas turcas forem de novo alvejadas.

Há uma semana, oito soldados turcos morreram em confrontos na região de Idlib e Erdogan deu um ultimato, até o fim de fevereiro, para que Damasco retirasse seus homens dos locais que voltou a controlar, após ter derrotado os rebeldes. Em respeito ao acordo turco-russo de 2018, o exército da Turquia mantém no nordeste da Síria 12 postos militares. Mas depois da morte de mais cinco soldados turcos em novos confrontos nesta quarta-feira, Erdogan passou a adotar um discurso mais ofensivo.

Os militares turcos mobilizados na Síria não têm nenhuma proteção aérea para os defenderem em caso de uma verdadeira ofensiva, mas o presidente Erdogan não tenta acalmar o jogo. Se Damasco também for inflexível, outros confrontos podem acontecer rapidamente.

Moscou irritado com declarações de Erdogan

As declarações do presidente turco irritam Moscou. Erdogan critica a Rússia e o regime sírio de terem violado o acordo de Sotchi, ao continuar a ofensiva em Idlib. O Kremlin reagiu hoje repreendendo a Turquia de não ter “neutralizado” os grupos rebeldes e jihadistas que atuam na província. Para Moscou, é Ancara que não respeita o acordo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que os bombardeios de grupos rebeldes contra tropas sírias e instalações militares russas na região “são inaceitáveis”.

Negociações

O tom entre os países envolvidos no conflito sírio sobe, mas o diálogo ainda não foi rompido. A prova é a conversa telefônica desta manhã entre os presidentes Vladimir Putin e Recep Erdogan. Uma delegação turca deve ir à Rússia nos próximos dias para buscar uma solução negociada para a crise.

Os dois países não têm nada a ganhar com um confronto militar direto e uma intensa negociação diplomática bilateral deve ser iniciada, apesar das recentes posições virulentas.

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