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Guerra na Síria

Com reforço de ofensiva na Síria, Turquia mostra quer ser protagonista no futuro do país vizinho

Militares turcos em Hazano, perto de Idlib, no noroeste da Síria.
Militares turcos em Hazano, perto de Idlib, no noroeste da Síria. REUTERS/Khalil Ashawi

O governo de Ancara acaba de enviar mais tropas para cruzar a fronteira até a cidade de Idlib, enquanto o principal aliado do regime sírio, o Kremlin, ignora ameaças de retaliação do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e mantém a ofensiva. Ancara não esconde que quer ter um papel decisivo no futuro do país vizinho.

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Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

A Turquia decidiu mandar mais tropas para a Síria após contabilizar as primeiras vítimas em combate direto com forças do regime sírio desde o início da guerra, em 2011. Foram mortos, na semana passada, oito soldados, e, na última segunda-feira (10), cinco militares de nacionalidade turca.

Todas as mortes foram registradas em Idlib, no noroeste da Síria. Foi nessa região, apoiadas por bombardeiros russos, que as forças do líder sírio Bashar al-Assad, cercaram vários postos de observação turcos - estabelecidos por acordos destinados a justamente reduzir a violência no território.

Ultimato da Turquia contra a Síria

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou, na quarta-feira (12), que a Turquia atingirá todos os alvos que considerar como ameaças, enquanto reiterou novamente que o país espera que tropas do regime sírio se retirem do entorno desses postos de observação até o final de fevereiro ou enfrentará consequências.

O Ministério da Defesa turco afirma que trabalha em prol de um cessar-fogo durável, mas, até agora, as mobilizações turcas não pararam o avanço, uma vez que as tropas sírias tomaram a rodovia estratégica Damasco-Aleppo. Tudo indica que a tentativa da Turquia é abrir uma zona de controle antes que os aliados de Assad avancem para muito perto da fronteira.

Reduto da oposição e de refugiados

Idlib é o último reduto da oposição na Síria, onde cerca de quatro milhões de civis estão cercados por terroristas da Al-Qaeda, que até preocupam os serviços de inteligência ocidentais, mas a comunidade internacional não sabe como lidar com a situação.

Em setembro de 2018, Turquia e Rússia concordaram em transformar a província em uma zona de não-agressão, onde os ataques são expressamente proibidos. Mas mais de 1800 civis foram mortos pelo regime sírio e forças russas.

Em abril de 2019, o ditador sírio lançou uma ofensiva militar apoiada pelo poder aéreo russo em focos da oposição, empurrando o problema para o norte turco e gerando mais refugiados na fronteira. Desse modo, o conflito Estado contra Estado atingiu um outro patamar.

Fim do tom amigável turco com a Rússia

O presidente turco sempre foi muito cuidadoso ao criticar o governo de Moscou. Mas, na última declaração, Erdogan fez questão de mencionar diretamente a Rússia, já que as forças do regime sírio não teriam atacado os militares turcos sem o aval do Kremlin.

Por sua vez, o presidente Vladimir Putin, com quem Erdogan conversou por telefone nos últimos dias, afirmou, por meio do seu porta-voz, que é inadmissível que a Turquia não tenha cumprido seu papel de neutralizar grupos terroristas na região. Representantes de Putin até vieram para cá, mas também não chegaram a um acordo sobre uma possível trégua.

Alguns analistas internacionais entendem que, se o conflito na Síria terminar com uma vitória de Assad, o país se tornará um Estado fantoche da Rússia e do Irã, o que representa uma ameaça à Turquia.

Ancara está transmitindo a mensagem de que quer ter um papel decisivo no futuro do país vizinho. Ainda mais agora, que aumentou a presença militar e não precisará mais se apoiar na oposição local.

A pressão, neste momento, recai sobre a Rússia de decidir se vai dividir com a Turquia o protagonismo na Síria ou enfrentar o segundo maior Exército da Otan. De um jeito ou de outro, são os sírios que ficam cada vez mais vulneráveis.

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