Acessar o conteúdo principal
Japão/assédio

Metrô do Japão ganha aplicativo contra "mão-boba" de agressores sexuais

Um aplicativo permite às mulheres evitarem agressores sexuais nos transportes públicos japoneses.
Um aplicativo permite às mulheres evitarem agressores sexuais nos transportes públicos japoneses. CHARLY TRIBALLEAU / AFP

As linhas do transporte urbano no Japão são tão cheias que os agressores se aproveitam. De cada dez japonesas, sete dizem já terem sido apalpadas dentro dos vagões lotados. Mas isso pode mudar graças a um aplicativo criado para detectar os agressores sexuais.

Publicidade

Com informações do correspondente da RFI em Tóquio, Bruno Duval

As linhas do transporte urbano no Japão são tão cheias que os agressores se aproveitam. De cada dez japonesas, sete dizem já terem sido apalpadas dentro dos vagões lotados. Mas isso pode mudar graças a um aplicativo criado para detectar os agressores sexuais.

Chamada de "Chikan Reidâ", o que em tradução livre significa "radar de detecção de mãos bobas”, a aplicação funciona com a colaboração dos usuários dos trens e metrôs. As vítimas devem inserir no aplicativo o dia, a hora e o local do ataque, permitindo que o sistema crie um mapa, em tempo real, das estações, linhas e horários mais perigosos.

Ao conhecerem os locais onde os predadores sexuais são mais frequentes, as japonesas podem adaptar o seu itinerário e viajar com tranquilidade.

Estudantes são mais visadas

Em fevereiro, o transporte público é particularmente perigoso para meninas do Japão. É nesse período que são realizados os exames de admissão para as grandes escolas e universidades do país. Como são testes que determinam o futuro dos candidatos, eles não podem se dar ao luxo de chegar atrasados. Consequentemente, acabam sendo vítimas fáceis e dificilmente têm tempo para denunciar o agressor e realizar todos os procedimentos necessários para informar a polícia, já que a prioridade é não perder a viagem.

Os agressores sexuais entendem que, nesta época do ano, podem agir com impunidade. E chegam a formar grupos de discussão na Internet ou em aplicativos de mensagens instantâneas nos quais trocam "dicas" de como e onde atuarem sem serem importunados.

Alguns chegam a compartilhar informações sobre locais e horários de provas, apontando em quais linhas e estações as meninas estarão mais presentes. Assim, os agressores sexuais usam esses fóruns para desenvolver habilmente suas rotas de ataque.

Outros aplicativos que salvam

Além do Chikan Reidá, mulheres vítimas de agressões sexuais em trens japoneses podem contar com um outro aplicativo que acaba de ser lançado. Ele permite que as vítimas entrem em contato diretamente com o maquinista que, através de alto-falantes, avisa aos demais passageiros que um ataque acaba de ocorrer.

Através doutro aplicativo, uma mulher que é agredida sexualmente em um trem ou metrô pode notificar imediatamente a polícia. Através do sistema de geolocalização do smartphone da vítima, os agentes correm para esperá-la na estação seguinte.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.