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Afeganistão/ Guerra

Primeiro dia de trégua parcial histórica no Afeganistão é respeitado

Forças de segurança afegãs fazem vigilância nas proximidades do lugar de um atentado terrorista em Cabul, em 11 de fevereiro.
Forças de segurança afegãs fazem vigilância nas proximidades do lugar de um atentado terrorista em Cabul, em 11 de fevereiro. REUTERS/Omar Sobhani

A trégua parcial no Afeganistão foi respeitada neste sábado (22), dia em que entrou em vigor. O cessar-fogo, que deve durar uma semana, é um momento histórico em um conflito que já dura 18 anos.

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A suspensão dos ataques precede a assinatura de um acordo entre talibãs e Estados Unidos, previsto para 29 de fevereiro. O documento será assinado se uma real redução da violência no território afegão for constatada. A trégua parcial deve demonstrar a boa vontade dos rebeldes islâmicos antes da assinatura do documento que trata, entre outros assuntos, da retirada gradual de tropas americanas em troca de garantias de segurança.       

Apesar de um incidente isolado na província de Balkh, no norte do Afeganistão, neste sábado, – um ataque talibã matou dois soldados afegãos – o general Scott Miller, comandante das forças americanas e da Otan no país, se disse confiante durante uma coletiva com a imprensa em Cabul. “É um período de teste”, disse Miller. “Temos um mecanismo muito bom para medir o que acontece em cada lado”, afirmou, mas admitiu que a comunicação entre os dois campos era crucial para o bom desenvolvimento da trégua parcial. Miller precisou que os rebeldes e o Exército americano ficariam em contato através de um canal de comunicação militar em Doha.

O militar também precisou que as operações ofensivas no terreno tinham parado, mas que as forças americanas continuariam prontas para reagir se fossem atacadas.

O ministro da Defesa do Afeganistão, Assadullah Khalid, também confirmou, na mesma coletiva, que todas as operações de forças afegãs tinham sido suspensas, mas alertou para o risco de provocações.

Os talibãs afirmaram que seus combatentes evitariam entrar em zonas sob controle do governo durante a trégua. Segundo o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, no Twitter, a redução da violência cobre as capitais das províncias, os quarteis generais do Exército, divisões, centros de batalhões e bases das forças estrangeiras. Mujahid, no entanto, não mencionou as estradas, muito perigosas e que os afegãos esperam poder usar para viajar pelo país se a segurança efetivamente melhorar.  

Divergências

Uma divergência sobre o conteúdo do futuro acordo já divide Estados Unidos e os rebeldes. Um porta-voz talibã, Suhail Shaheen, disse no Twitter que o documento prevê que todas as tropas americanas deixem o Afeganistão. Mas Washington anunciou querer reduzir o número de soldados a pelo menos 8.600.

Os talibãs foram tirados do poder no Afeganistão por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, após os atentados de 11 de setembro de 2001. Posteriormente eles travaram uma guerrilha que matou 2.400 soldados americanos.

Segundo a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (MANUA), só em 2019, 3.404 civis morreram e 6.989 ficaram feridos.

Há 18 anos, os talibãs se recusam a negociar com o governo de Cabul, que eles consideram como um fantoche de Washington. A expectativa é de que se o acordo for assinado, as discussões entre afegãos se abram.  

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