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Irã/ Eleições

Em meio à epidemia de coronavírus, conservadores vencem eleições legislativas no Irã

Contagem de votos em Teerã durante eleições legislativas no Irã, 22 de fevereiro de 2020.
Contagem de votos em Teerã durante eleições legislativas no Irã, 22 de fevereiro de 2020. Nazanin Tabatabaee/ WANA (West Asia News Agency)/Nazanin Tabatab

Conservadores e ultraconservadores reivindicaram neste domingo (23) a vitória nas eleições legislativas no Irã. A votação foi marcada por uma forte abstenção e pela epidemia de coronavírus.  

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O ministério do Interior iraniano publicou na tarde de domingo os resultados de mais de 95% dos distritos eleitorais, dando os nomes dos deputados eleitos no primeiro turno, sem precisar a afiliação política.

Os números indicam, como previsto, a vitória do campo conservador. A participação nas eleições foi de 42,57%, segundo anunciou o ministro do Interior, Abdolréza Rahmani Fazli, o nível mais baixo registrado em legislativas desde a revolução islâmica de 1979.   

A forte abstenção era prevista, após a desqualificação massiva pelo órgão de controle das eleições, de candidatos reformistas e moderados, reduzindo a votação a uma competição entre conservadores e ultraconservadores.  

O Parlamento conta com 290 deputados. Segundo o site do jornal governamental Irã, 17 deputadas foram eleitas, o mesmo número do parlamento anterior, e uma outra mulher se qualificou para o segundo turno.

Segundo a agência Fars, 11 distritos eleitorais terão segundo turno, previsto para 17 de abril.

Candidatos antiamericanos

“Vitória de candidatos antiamericanos, novo tapa na cara de Trump” era a manchete do jornal ultraconservador Keyhan deste domingo. Segundo a publicação, “o povo desqualificou os reformistas”.

O presidente Rohani vem sendo criticado pelo campo conservador por sua política de abertura simbolizada pelo acordo internacional sobre o nuclear iraniano concluído em Viena em 2015.

A decisão do presidente americano Donald Trump de denunciar o pacto e de voltar a impor sanções a Teerã mergulhou o Irã em uma violenta recessão econômica.    

Coronavírus

As eleições foram realizadas logo após o anúncio do primeiro caso de coronavírus no Irã. Segundo dados oficiais, a epidemia de Covid-19 fez oito mortos em um total de 43 pessoas contaminadas.

“Nós realizamos estas eleições em meio a diversos incidentes no país”, comentou o ministro Rahmani Fazli. Segundo ele, nessas condições “a taxa de participação é perfeitamente aceitável”. “Tivemos o mal tempo, a doença do coronavírus, a queda do avião e também os incidentes de janeiro e novembro”, justificou fazendo referência ao avião ucraniano abatido pelas forças aéreas iranianas no começo de janeiro, próximo a Teerã, e à onda de contestação causada pelo aumento do preço do combustível.

 Em seu site oficial, o guia supremo iraniano elogiou o que considerou de “participação massiva da população às eleições”, acusando a imprensa estrangeira de ter feito tudo para desencorajar as pessoas a participarem. Em seu curso semanal a estudantes de teologia de Teerã, o aiatolá Ali Khamenei disse que “a propaganda começou há alguns meses e se intensificou a medida que as eleições se aproximavam, principalmente nos dois últimos dias, utilizando o pretexto dessa doença”.

O Irã foi o primeiro país do Oriente Médio a declarar a morte de pacientes contaminados pelo coronavٌírus. Como medida preventiva, as autoridades anunciaram o fechamento de escolas e universidades, cinemas, teatros e outros centros culturais em 14 das 31 províncias do país, incluindo a da capital.

Nas províncias do Norte e do Oeste do país, todos os eventos culturais foram interditados por uma semana.

Citado pela televisão do Estado, o ministro da Saúde Saïd Namaki anunciou que o tratamento da doença seria gratuito. Em cada cidade, ao menos um hospital será usado exclusivamente para acolher, diagnosticar e tratar casos de coronavírus, segundo o ministro.

Em Teerã, onde foram detectados 4 dos 15 novos casos anunciados no domingo, a prefeitura ordenou o fechamento das fontes de água e de quiosques que vendem comida no metrô.

“Se o número de pessoas contaminadas aumentar em Teerã, a cidade toda será colocada em quarentena”, declarou à televisão iraniana Mohsen Hachémi, presidente do conselho municipal da capital. Vários cartazes pedindo às pessoas para evitarem os apertos de mão para prevenir a contaminação pelo vírus foram espalhados pela cidade.

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