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Íindia/Estados Unidos

Trump celebra tolerância em visita à Índia enquanto violência intercomunitária ganha ruas do país

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante uma conferência de imprensa em Nova Deli, Índia, 25 de fevereiro de 2020.
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante uma conferência de imprensa em Nova Deli, Índia, 25 de fevereiro de 2020. REUTERS/Al Drago

A Índia recebeu com pompa o presidente americano, Donald Trump, que realizou nesta terça-feira (25) o segundo e último dia de sua visita oficial ao país. Ao mesmo tempo, violentos distúrbios em Nova Dhéli contra a nova lei da cidadania voltaram a deixar evidentes as tensões religiosas no país.

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Os confrontos entre hindus e muçulmanos começaram na segunda-feira (24), após a chegada de Trump à Índia. Eles marcam uma nova fase no movimento protesto contra a lei sobre cidadania. Ao menos dez pessoas morreram, entre elas um policial. Balanço do hospital Guru Teg Bahadur de Nova Dhéli aponta que 31 pessoas foram internadas e que dez estão gravemente feridas.

Os distúrbios prosseguem nesta terça-feira. "Os manifestantes atacam a polícia ou brigam entre eles quando não há policiais por perto", disse Alok Kumar, comandante de polícia de Nova Dhéli à AFP. O canal NDTV informou que três repórteres e um cinegrafistas foram atacados por uma multidão na zona norte da cidade, de 20 milhões de habitantes.

Confronto em Nova Deli, Índia, em 24 de fevereiro de 2020.
Confronto em Nova Deli, Índia, em 24 de fevereiro de 2020. REUTERS/Danish Siddiqui

Segundo os críticos, a nova lei integra a agenda nacionalista do primeiro-ministro Narendra Modi. Desde que foi apresentada em 11 de dezembro de 2019, ela provoca protestos e violência. O governo diz que o texto visa facilitar a naturalização de refugiados de minorias religiosas do Bangladesh, Afeganistão e Paquistão, mas exclui, contudo, os muçulmanos oriundos desses países.

A lei também provocou críticas no exterior, ao despertar o temor de que Modi deseje remodelar a Índia secular em uma nação hindu, o que marginalizaria os 200 milhões de muçulmanos que vivem no país. Modi nega que este seja o seu objetivo.

Trump elogia diversidade cultural e religiosa indiana

Na segunda-feira (24), Trump e Modi participaram em um comício diante de 100.000 pessoas no maior estádio de críquete do mundo, em Ahmedabad. Em seu discurso, o presidente americano elogiou a “diversidade cultural e religiosa da Índia”. Ele também saudou a ação de seu “grande amigo” Narendra Modi.

Mas os elogios e a boa recepção não conseguiram superar os desentendimentos comerciais entre os dois países e a visita do presidente americano terminou sem nenhum avanço concreto. Apesar de Trump ter falado em “dois dias fantásticos” ao lado do líder formidável que é Modi e de “enorme progresso” nas negociações, um acordo comercial bilateral parece distante.

Embora as medidas possam parecer insignificantes em comparação com a guerra comercial aberta com a China, Trump impôs tarifas ao aço e ao alumínio indianos e suspendeu o acesso de certos produtos a zonas isentas de impostos. Modi respondeu com o aumento das tarifas de alguns produtos americanos, como as amêndoas da Califórnia, no valor de US$ 600 milhões.

Trump e Modi assinaram, no entanto, acordos no setor de defesa por US$ 3 bilhões, incluindo a venda de helicópteros navais, e negociaram um escudo de defesa antimísseis no valor de US$ 1,9 bilhão.

A primeira potência mundial e a terceira economia da Ásia estão preocupadas com a crescente influência da China e no ano passado assinaram um grande acordo de cooperação militar. Para os Estados Unidos, a Índia representa um aliado estratégico na região para barrar a potência chinesa.

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