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Hong Kong/Crise

Coronavírus agrava crise em Hong Kong e leva governo a oferecer R$ 5.600 para cada morador

A epidemia do Covid-19 freia ainda mais a economia de Hong Kong, fortemente afetada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e pelas manifestações pró-democracia no território.
A epidemia do Covid-19 freia ainda mais a economia de Hong Kong, fortemente afetada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e pelas manifestações pró-democracia no território. REUTERS/Tyrone Siu

A epidemia do Covid-19 chega a Hong Kong após oito meses de manifestações antigovernamentais que já tinham afastado os turistas e os chineses continentais da ex-colônia britânica. A propagação do coronavírus na região freou ainda mais a atividade econômica do território. Para relançar a economia, o governo anunciou a distribuição de KH$ 10.000 (cerca de R$ 5.600) a todos os cidadãos maiores de idade.

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A medida excepcional foi anunciada pelo secretário de Finanças, Paul Chan. Ela visa superar a pior crise financeira de Kong Kong em uma década. A notícia se espalhou rapidamente no território semiautônomo chinês, constatou a correspondente da RFI, Florence de Changy, e foi recebida principalmente com alegria.

Uma aposentada, entrevistada pela RFI num mercado de peixes de Wong Chuk Hang, nem esperou receber o dinheiro para festejar o anúncio. “Estou muito contente, como todo mundo. Dá para imaginar, HK$ 10.000 para todo mundo? Estou comprando muito peixe seco para toda a família”, comemorou.

Efeito cascata

As autoridades apostam no efeito cascata, isto é, que o dinheiro distribuído será reinjetado na economia local para apoiar a empresas hongkonguesas, em particular os lojistas, profissionais do turismo e donos de bares e restaurantes que foram os primeiros a sofrer com a recessão.

Por causa da epidemia, todas as escolas ainda estão fechadas. No bairro Central, um casal que passeia com a filha não acredita muito em um efeito a longo prazo da medida. “É uma medida pontual para aliviar os problemas cotidianos da população, das lojas que fecham, das pessoas que são obrigadas a pegar férias sem remuneração. Mas acho que o governo deveria fazer mais esforços para acabar com essa epidemia do que apenas distribuir dinheiro e deixar as pessoas se virarem sozinhas”, criticou.

Outras medidas integram esse orçamento excepcionalmente deficitário. Os impostos serão reduzidos e as empresas, que enfrentam dificuldades para pagar os salários dos empregados, poderão pegar empréstimos com juros reduzidos. Por enquanto, Hong Kong tem ainda importantes reservas fiscais acumuladas durante os anos de crescimento econômico e pode utilizá-las para relançar sua economia, que também é afetada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

A epidemia acontece após meses de manifestações pró-democracia, muitas vezes violentas. A revolta popular ainda é latente e a impopular chefe do Executivo, Carrie Lam, governa em um clima de instabilidade.

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