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Índia/Violência

Premiê pede calma para conter violência que já deixou 27 mortos na Índia

Os confrontos intercomunitários semeiam há quatro dias terror nos bairros populares do nordeste de Nova Dhéli.
Os confrontos intercomunitários semeiam há quatro dias terror nos bairros populares do nordeste de Nova Dhéli. SAJJAD HUSSAIN / AFP

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pediu nesta quarta-feira (26) calma diante da nova onda violência intercomunitária que deixou ao menos 27 mortos em Nova Dhéli. Estes são os piores confrontos entre hindus e muçulmanos na capital indiana em décadas.

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Lojas incendiadas, bandeira hindu içada em mesquita, Corão queimado: estes são apenas alguns dos sinais do nível de violência do conflito que voltou às ruas de Nova Dhéli no último domingo (23). Armados com pedras, espadas e até pistolas, os manifestantes semeiam há quatro dias terror nos bairros populares do nordeste da megalópole indiana.

“Peço a meus irmãos e irmãs de Nova Dhéli para manter a paz e a fraternidade. É importante que a calma e a normalidade sejam restabelecidas o mais rápido possível”, tuítou o líder nacionalista hindu.

Guerra interreligiosa

As novas manifestações entre os partidários e os opositores da polêmica lei da cidadania se transformou em batalha campal entre hindus e muçulmanos. O texto, apresentado em dezembro de 2019 pelo governo é julgado discriminatório contra os muçulmanos e desde então vem provocando protestos no país.

Os inúmeros incidentes relatados pela imprensa indiana apontam que grupos armados hindus atacaram lugares e pessoas identificadas como muçulmanos, aos gritos de “Jai Shri Ram” (Louvado seja o deus Ram).

Além dos 27 mortos, dois hospitais do nordeste da capital informaram que a violência também fez mais de 200 feridos. Muitos pacientes foram baleados, salientaram as fontes hospitalares.

As autoridades indianas mobilizaram o batalhão de choque para conter os confrontos. Ao menos 106 pessoas foram detidas e nenhum incidente grave foi registrado nesta quarta-feira. Durante o dia, os policiais pediram aos moradores para não sair de casa. Os bombeiros entraram em ação para apagar as chamas nas lojas incendidas na noite anterior.

Alerta paquistanês

Preocupado com a situação “alarmante”, o ministro responsável por Dhéli, Arvind Kejriwal, pediu que o governo de Narendra Modi decrete um toque de recolher nos bairros atingidos e mobilize o exército.

Já o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, julgou hoje que os confrontos são resultado de “uma ideologia racista, fundada no ódio”. O dirigente do país vizinho da Índia de maioria muçulmana, alertou seus cidadãos para qualquer represália contra a minoria hindu no Paquistão

A contestada nova lei da cidadania facilita a obtenção da nacionalidade indiana a refugiados, com a condição de que não sejam muçulmanos. O texto cristalizou o medo da minoria muçulmana de se ver transformada em “cidadãos de segunda categoria”. Na Índia, os hindus representam 80% da população.

A lei provocou as mais importantes manifestações no país desde a chegada de Modi ao poder em 2014. O líder nacionalista hindu foi reeleito no ano passado por ampla maioria.

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