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Província chinesa berço da Covid-19 sai do confinamento, mas população está apreensiva

Operários desinfetam as plataformas da estação de trem da cidade chinesa de Wuhan nessa terça-feira, 24 de março de 2020.
Operários desinfetam as plataformas da estação de trem da cidade chinesa de Wuhan nessa terça-feira, 24 de março de 2020. AFP

A China suspendeu nesta quarta-feira (25) as drásticas restrições impostas por dois meses à província de Hubei, berço da pandemia do novo coronavírus que causou mais de 18 mil mortes em todo o mundo desde dezembro. O fim do confinamento é um alívio para a população, relata o correspondente da RFI na China, Stéphane Lagarde, mas os moradores também estão apreensivos com a possibilidade de contágio por infectados assintomáticos.

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Somente as pessoas saudáveis entre os 50 milhões de habitantes de Hubei podem voltar a circular livremente a partir desta quarta-feira. Mas alguns cientistas chineses alertam que vários contaminados, que não desenvolveram nenhum sintoma da doença, não foram detectados pelas autoridades e podem, ao sair do isolamento, relançar a epidemia.

O alerta foi lançado por um estudo realizado por um grupo de médicos. Segundo a pesquisa, cerca de 60% das pessoas que contraíram o coronavírus são assintomáticas. Essas pessoas têm a Covid-19, mas desenvolveram sintomas muito leves da doença e não foram contabilizadas nos balanços oficiais, explica o estudo publicado no South China Morning Post.

Resultado de testes

Os pesquisadores do Tongji Medical College de Wuhan, da Universidade Fudan de Shanghai e de Harvard não utilizaram estatísticas oficiais. Eles se basearam em resultados de testes fornecidos por laboratórios.

Mais de 26 mil casos foram estudados. Somente na cidade de Wuhan, em meados de fevereiro, o número de infectados seria superior a 125 mil, enquanto as autoridades confirmaram em todo o território chinês 81.228 casos.

Esse estudo vem corroborar outras pesquisas realizadas, principalmente na época do confinamento do navio de cruzeiro Diamond Princess, no porto de Yokohama, no Japão. Um terço dos casos de coronavírus poderiam ser de "portadores silenciosos", um resultado que preocupa muito os moradores do Hubei.

Casos assintomáticos

Após dois meses de quarentena, muitos habitantes hesitam em sair do confinamento. As autoridades chinesas tentam tranquilizar a população. Elas concordam que os casos assintomáticos não foram recenseados, mas lembram que, como todo mundo, os "portadores silenciosos" ficaram aos menos 14 dias isolados. O comunicado divulgado pelo governo da província afirma que esses casos não apresentam mais nenhum risco de contágio.

Na terça-feira (24), 47 novas contaminações foram registradas na China, mas todas "importadas". Nenhum caso de contágio local foi detectado nas últimas 24 horas no país. Quatro novas mortes ocorreram, três delas em Hubei.

Com o fim do confinamento na província, alguns aeroportos e estações ferroviárias foram reabertos. As escolas permanecem fechadas. Já os moradores de Wuhan, onde o coronavírus surgiu em dezembro, terão que esperar até 8 de abril para deixar a cidade.

Controle nos aeroportos e quarentena de viajantes

O fim do isolamento na China foi decidido após a redução considerável do número de novos casos no último mês. Uma situação que contrasta com o resto do mundo, onde o coronavírus está em plena expansão, forçando os países a tomar medidas de confinamento, toque de recolher, fechamento de locais públicos. Mais de 400.000 infectados foram confirmados em 175 países e territórios.  

Para evitar uma segunda onda da epidemia, muitas cidades chinesas aplicam regras estritas de quarentena aos recém-chegados. Todos os passageiros de voos internacionais são submetidos a exames médicos.

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