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Após 18 meses de crise política, governo de união toma posse em Israel

Benny Gantz (e) junto com Benjamin Netanyahu durante voto de validação do novo governo.
Benny Gantz (e) junto com Benjamin Netanyahu durante voto de validação do novo governo. Amos Ben Gershon/Knesset Spokesperson's Office via Reuters

O governo de união israelense liderado por Benjamin Netanyahu e Benny Gantz tomou posse, neste domingo (17), após receber o voto de confiança do Parlamento. A confirmação da equipe encerra 500 dias de crise, marcados por três eleições sem vencedor. Mas o frágil cenário econômico e a pandemia de coronavírus, além das tensões na Cisjordânia, devem tornar difícil a gestão do país.

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Guilhem Delteil, correspondente da RFI em Jerusalém

Em dezembro de 2018 a coalisão que detinha o poder em Israel decidiu destituir o Parlamento e lançar um processo de eleições antecipadas. Desde então, o país enfrentou três legislativas seguidas, sem conseguir definir um vencedor.

Durante todo esse período, nem Benjamin Netanyahu, o premiê mais longevo da história de Israel, nem Benny Gantz, seu principal opositor e ex-chefe das Forças Armadas, conseguiram obter uma maioria clara. Mas neste domingo, o governo fruto de um acordo entre os rivais espera virar essa página de instabilidade política.

A confirmação da nova equipe estava incerta até o último minuto. A tal ponto que a cerimônia para oficializar a posse foi adiada várias vezes esta semana. O novo governo prestou sermão a apenas cinco dias do prazo final imposto pelas autoridades locais. Após essa data, os israelenses teriam que ir às urnas pela quarta vez em um ano e meio.

Coronavírus aproximou os rivais

A aproximação entre os dois rivais acabou sendo favorecida pela crise sanitária e econômica provocadas pela pandemia de coronavírus. Diante das dificuldades que o país enfrenta para controlar a situação, os dois partidos concordaram que “Israel precisava do estabelecimento imediato de um governo de urgência nacional”.

Netanyahu e Gantz devem se revezar à frente do país. O atual premiê vai dirigir o governo durante 18 meses, antes de ser substituído pelo rival. Em seu discurso nesse domingo, Netanyahu confirmou que essa alternância deve acontecer no dia 17 de novembro de 2021.

Desconfiança reciproca

No entanto, esse acordo ainda parece frágil, pois o sistema adotado é complexo. “Um novo regime, com dois primeiros-ministros, foi criado. Ambos tem o direito de vetar as decisões do governo e suas nomeações. Mesmo se Gantz se tornará premiê apenas em 18 meses, ele já tem de uma certa forma 50% da autoridade de um primeiro-ministro”, explicou Yohanan Plezner, ex-deputado centrista e presidente do Instituto israelense da democracia.

Ele lembra que em 1984 o Partido Trabalhista de Shimon Peres e o Likoud de Yitzhak Shamir também haviam concordado em se revezar na direção do governo, e que as leis fundamentais do texto foram cumpridas. “Mas isso só aconteceu porque havia um mínimo de confiança, o que não é o caso hoje”, avalia Plezner. “Não há nenhuma confiança entre os dois lados”, insiste.

Inflação de ministros

O acordo também provocou uma inflação de ministros, já que Gantz e Netanyahu têm o direito de nomear equipes independentes. No total, serão 34 ministros e 16 ministros-delegados, o que representa o maior governo da história do país.

O número de pastas já vem sendo criticado. Nas redes sociais, os internautas se divertem propondo títulos e atribuições excêntricas para os membros do novo governo.

Desafios pela frente

O desafio do novo governo é duplo: reativar a economia do país, com um índice de desemprego que pulou de 3,4% antes da epidemia para atuais 27%, e evitar uma segunda onda de contágios pelo Covid-19.

O Executivo também terá de estudar a aplicação do projeto americano para a resolução do conflito entre israelenses e palestinos. O texto prevê a anexação por parte de Israel do vale do Jordão e de mais de 130 colônias judaicas na Cisjordânia, ocupada desde 1967.

 

 

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