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França repatria dez filhos de jihadistas da Siria e Ong critica lentidão do governo

Comboio  transportando filhos de jihadistes deixa o aeroporto de Velizy-Villacoublay, em 10/06/2019.
Comboio transportando filhos de jihadistes deixa o aeroporto de Velizy-Villacoublay, em 10/06/2019. FRANCE-SYRIA-CONFLICT-IS-ORPHANS A vehicle, (L), allegedly trans

Retidas em campos de deslocados sob controle curdo na Síria, as crianças foram repatriadas para a França durante a noite de domingo (21) para segunda-feira (22), anunciou o Ministério das Relações Exteriores da França.

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"A França realizou hoje os trâmites  para trazer de volta dez menores franceses, órfãos ou de casos humanitários, que estavam em campos no nordeste da Síria", informou o comunicado do Ministério de Relações Exteriores da França. A mensagem não fornece detalhes sobre o local de chegada na França, nem sobre as circunstâncias em que os menores deixaram a Síria.

"Essas crianças foram entregues às autoridades judiciais francesas, e agora são objeto de acompanhamento médico especial e atendimento por serviços sociais", se limitou a informar o Quai d'Orsay, equivalente francês do Itamaraty.

Desde a derrocada do grupo Estado Islâmico em março de 2019, a França resgatou um total de 28 crianças da Síria. Paris "agradeceu" a administração semiautônoma curda no nordeste da Síria por sua "cooperação" neste novo repatriamento, enfatizando que agiu "levando em consideração a situação dessas crianças particularmente vulneráveis e no âmbito das autorizações concedidas pelas autoridades locais”.

O coletivo Familles Unies (Famílias Unidas, em português), que acompanha esses casos, reagiu pelas redes sociais e criticou particularmente a lentidão do governo francês. 

“Somente uma pequena porcentagem de mulheres e crianças foram repatriadas devido à falta de esforços sérios da parte das potencias estrangeiras, particularmente da Europa Ocidental. Está na hora de demonstrar ‘esforços sérios’ para trazer de volta TODAS as crianças francesas”, diz uma dos tuítes.

Quebra-cabeça

A queda do califado do EI proclamada em 2014 marcou o início de um quebra-cabeça para a comunidade internacional: em que condições devem ser repatriadas famílias de jihadistas capturados ou mortos na Síria e no Iraque? Os retornos para países europeus como Áustria, Alemanha ou França acontecem a conta-gotas.

O governo francês reluta em trazer de volta seus aproximadamente 150 cidadãos adultos, homens e mulheres, pois entende que eles devem ser julgados nos locais onde cometeram crimes. A situação também é complicada para os cerca de 300 filhos de jihadistas franceses não órfãos, para os quais é necessária a autorização da mãe.

No total, cerca de 12.000 estrangeiros, 4.000 mulheres e 8.000 crianças estão instalados em três campos de deslocados no nordeste sírio, a grande maioria em Al-Hol, segundo as autoridades curdas.

Insistência dos Estados Unidos

As autoridades curdas pediram frequentemente aos países envolvidos que repatriassem seus cidadãos, dizendo que elas não podem mantê-los por muito mais tempo. Um apelo também feito regularmente pelos Estados Unidos, preocupados com o risco de fuga e de dispersão de jihadistas detidos para outros locais ou, em certos casos, para a Europa, a fim de realizar ataques ali.

Em janeiro, investigadores da ONU também pediram o repatriamento, pelo menos das crianças, que estão em uma situação "particularmente precária". Em 2019, 517 pessoas, incluindo 371 crianças, morreram no campo de Al-Hol, disse uma autoridade do Crescente Vermelho Curdo à AFP em meados de janeiro.

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