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Alemanha restabelece quarentena para 600 mil moradores do oeste do país após novo surto da Covid-19

O surto do novo coronavírus foi identificado no abatedouro de Tonnies, considerado o maior da Europa.
O surto do novo coronavírus foi identificado no abatedouro de Tonnies, considerado o maior da Europa. Ina FASSBENDER / AFP

A Alemanha, apresentada como um modelo de gestão da pandemia de coronavírus, anunciou terça-feira (23) pela primeira vez o restabelecimento da quarentena em dois cantões da região da Renânia do Norte-Vestfália. As autoridades regionais decidiram impor restrições a 600.000 habitantes, após o surgimento de um surto da Covid-19 em um abatedouro que é considerado o maior da Europa.

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Cerca de 360.000 pessoas que vivem no cantão de Gütersloh e 280.000 no vizinho Warendorf, no oeste do país, verão novamente seus movimentos e atividades estritamente limitados para tentar conter a propagação do vírus. O surto de Covid-19 foi identificado no matadouro de Tonnies, que fica perto de Gütersloh, e já afeta mais de 1.550 pessoas.

O líder da região da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, anunciou na manhã desta terça-feira (23) o retorno das medidas preventivas, que não chegam a impedir os alemães de sair de casa. Até 30 de junho, os habitantes dos dois cantões devem se submeter a uma redução dos contatos sociais. Bares, cinemas e museus ficarão fechados. As atividades de lazer em espaços fechados também foram proibidas. Os restaurantes podem abrir, mas com restrições, informou o líder da Renânia do Norte-Vestfália.

Com cerca de 9.000 mortes por coronavírus até o momento, a Alemanha tenta controlar uma importante fonte de contaminação. O abatedouro de Tonnies emprega cerca de 6.700 funcionários. Muitos são procedentes da Bulgária e da Romênia.

Na noite de segunda-feira (22), as autoridades locais anunciaram que 1.553 pessoas estavam infectadas com a Covid-19 neste cantão. Cerca de 7.000 se encontram em quarentena, 21 hospitalizadas, e seis em terapia intensiva. Alguns familiares dos trabalhadores foram contaminados, bem como 24 pessoas sem contato com o abatedouro.

"É uma medida preventiva", disse Laschet, possível sucessor da chanceler Angela Merkel e candidato à liderança de seu partido, a CDU, em dezembro próximo. "Vamos suspender o isolamento o mais rápido possível, quando o surto for controlado", acrescentou.

Para o parlamentar conservador, que defendeu nas últimas semanas uma flexibilização das restrições, a fim de reativar a economia, o retorno da Covid-19 em sua região representa um revés político. Laschet foi criticado por ter atribuído o contágio aos trabalhadores búlgaros e romenos. Ele teve de voltar atrás em suas declarações, depois de receber uma condenação do governo da Bulgária, que considerou a acusação "inaceitável".

Regras de distanciamento social devem prevalecer

O surgimento de vários focos de contaminação em abatedouros da Alemanha e da França relançou o debate sobre as condições de trabalho nesses locais. O governo da chanceler Angela Merkel tomou a iniciativa de endurecer as regras de funcionamento nos frigoríficos. O ministro do Trabalho, o social-democrata Hubertus Heil, defendeu mudanças profundas na indústria de carnes bovina e suína.

O diretor do Instituto Robert Koch de Saúde Pública (RKI), Lothar Wieler, disse que a Alemanha poderá enfrentar uma segunda onda epidêmica, embora permaneça otimista quanto à capacidade do país de evitar essa situação. "Não há evidências científicas para sugerir o fim das regras de distanciamento social", disse Wieler durante uma entrevista coletiva em Berlim. Segundo ele, a taxa de reprodução do coronavírus na Alemanha, conhecida como "R", está estimada atualmente em 2,76, o que significa que de 100 pessoas que contraírem o vírus, 276 outras serão infectadas.

Desde o início da epidemia do novo coronavírus, a Alemanha registrou 191.000 infectados. O país tem 83 milhões de habitantes.

Com informações da AFP

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