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Brasil-Mundo

Portal informativo deve ajudar na integração dos migrantes na capital portuguesa

Áudio 04:07
Cynthia de Paula (à esq.) e Maíra Streit do projeto cultural "Lisboa Acolhe".
Cynthia de Paula (à esq.) e Maíra Streit do projeto cultural "Lisboa Acolhe". Foto: Fábia Belém/RFI Brasil

Pouco mais de 480 mil estrangeiros vivem legalmente em Portugal. Grande parte dessa população está conectada à cidade de Lisboa ou porque trabalha ou porque vive aqui. Para ajudar na integração dos migrantes na capital portuguesa, a Casa do Brasil de Lisboa, em parceria com a Câmara Municipal, está construindo um site. A ideia é reunir um conjunto de informações de interesse das pessoas migrantes, como educação, saúde habitação, emprego e igualdade de gênero.

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Correspondente da RFI Brasil em Lisboa

A Casa do Brasil de Lisboa, responsável pela execução do projeto do portal chamado “Lisboa Acolhe”, é uma associação sem fins lucrativos que trabalha para promover a integração dos migrantes de todas as nacionalidades que chegam a Portugal.

De acordo com a presidente, Cyntia de Paula, o site não vai disponibilizar informação que já existe nas fontes oficiais. A ideia é que ele “decodifique”, isto é, torne clara a informação já existente. “Ou seja, [a ideia] é desconstruirmos o que é uma Segurança Social, o que é o Número de Informação Fiscal, o NIF”, explica.

O site também deve fortalecer o papel das associações que prestam apoio à população migrante. Por meio dele, acrescenta Cyntia, as pessoas poderão ser encaminhadas aos serviços especializados das associações “e não confiar no que está na Internet, porque qualquer pessoa pode pegar uma câmera hoje e, para ganhar ‘likes’, falar aquilo que nós queremos ouvir”, alerta.

A Casa do Brasil e a Câmara Municipal de Lisboa estão empenhadas em fazer do portal uma ferramenta capaz de estimular pessoas a denunciarem qualquer situação de exploração. O Lisboa Acolhe também vai reunir informações acerca dos direitos das pessoas migrantes previstos em lei e sobre onde buscar apoio para exercer esse direito quando houver necessidade.

Construção participativa

Os conteúdos do portal Lisboa Acolhe estão sendo construídos com a ajuda dos próprios migrantes durante encontros promovidos pela Casa do Brasil. Dos 15 previstos, dois já aconteceram.

“Reunimos aqui associações, líderes comunitários, a comunidade migrante em geral. Todo mundo fala, todo mundo sugere. É bem interessante essa dinâmica porque eles auxiliam tanto na construção do conteúdo do portal quanto na forma com eles gostariam que essas informações fossem apresentadas”, explica Maíra Streit, técnica de projetos na Casa do Brasil.

Nas reuniões, segundo Streit, os migrantes têm relatado que há muitas informações desencontradas e não confiáveis em grupos informais de WhatsApp e de Facebook. Já os sites oficiais são citados como fontes que oferecem uma linguagem burocrática e difícil de ser compreendida.

Dificuldades de migrantes

Durante a construção do portal, os participantes também têm compartilhado algumas adversidades que enfrentaram no campo da habitação: dificuldade de entender os termos de contrato de aluguel ou compra de imóvel, além dos golpes da falsa moradia.

“A pessoa já está ali naquela situação de vulnerabilidade, acabou de chegar, tem desconhecimento desse processo todo de contratos e tudo. Então, se torna bem mais vulnerável a esse tipo de golpe”, diz a técnica de projetos na Casa do Brasil.
Na opinião de Maíra Streit, o site também vai servir para alertar as pessoas migrantes para esse tipo de golpe, além de informar a quem recorrer caso alguém seja vitima.

A previsão é que o portal esteja pronto em agosto de 2020 com conteúdos disponíveis em português e inglês. Será fonte de informação para pessoa migrante de qualquer nacionalidade, inclusive para quem ainda está planejando a mudança de país.

 

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