Reportagem publicada em 23/06/2009 Última atualização 25/06/2009 08:44 TU

O presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, vai propor aos presidentes dos BCs dos outros países do BRICs o uso de moedas locais nas trocas comerciais bilaterais.
Foto: RFI
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou, em Paris, que vai discutir individualmente com os presidentes dos Bancos Centrais da Rússia, Índia e China o uso de moedas locais nas trocas comerciais bilaterais com esses países.
As declarações foram feitas durante apresentação organizada pela Câmara do Comércio do Brasil na França.
Os encontros bilaterais serão realizados na Basiléia, na Suíça, onde Meirelles participa da reunião bimensal e da assembléia geral do Banco de Compensações Internacionais, e da reunião do Finacial Stability Board, grupo que reúne os países do G20, além da Comissão Européia e organizações internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional e que discute, entre outras coisas, a regulação do mercado financeiro mundial.
Henrique Meirelles não anunciou nenhuma proposta ou pista concreta para a substituição do dólar, mas disse que quer avaliar o nível de interesse de cada um dos países envolvidos.
O presidente do Banco Central vai também mostrar o exemplo do comércio em moeda local que o Brasil vem fazendo com a Argentina e que, segundo ele, tem funcionado com sucesso, apesar dos volumes serem ainda baixos.
Meirelles também não quis comentar as previsões internacionais que apostam em um crescimento negativo para a economia brasileira este ano. Segundo ele, até o momento o BC aposta em um crescimento positivo e essa análise somente será confirmada ou não na semana que vem. Na última segunda-feira, o Banco Mundial divulgou uma estimativa de crescimento negativo de 1,1% para a economia brasileira.
Pequenas e médias empresas
Henrique Meirelles afirmou que as pequenas e médias empresas brasileiras ainda estão tendo problemas para conseguir empréstimos e defendeu os dois fundos de aval que estão sendo criados pelo governo para facilitar a oferta de crédito. Segundo ele, esses dois fundos são fundamentais para a normalização do crédito.
Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já conta com 700 milhões de reais para o fundo e terá mais um bilhão de reais do governo. O outro fundo, que terá co-gestão do Banco Brasil, deve somar 4 bilhões de reais.
“Esses fundos são importantes para que as pequenas e medias empresas possam ter a mesma recuperação que outros setores da economia. As grandes empresas já estão com crédito caminhando para a normalidade, o crédito externo está voltando, a oferta de recursos começa a ser mais substancial, vemos grandes empresas voltando a captar nos mercados internacionais. (...) O crédito consignado está voltando a uma atividade próxima da normalidade. O grande desafio é completar o processo para pequenas e médias empresas”, disse Meirelles.
Durante a apresentação, o presidente do Banco Central do Brasil mostrou números mostrando a evolução dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil que, segundo ele, “surpreenderam positivamente já no mês de abril, ficando acima de 3 bilhões de dólares”.
Meirelles disse que as expectativas para maio também são positivas, mas que os investimentos devem registrar queda este ano, embora menor do que o previsto.
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