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Grécia/Crise

Angela Merkel volta a discutir a criação de um Fundo Monetário Europeu

Reportagem publicada em 09/03/2010 Última atualização 10/03/2010  11:56 TU

O Comissário para assuntos econômicos e monetários Olli Rehn. Foto: Reuters

O Comissário para assuntos econômicos e monetários Olli Rehn.
Foto: Reuters

A ideia de um fundo monetário europeu, que poderia ser utilizado para ajudar países com dificuldades financeiras, como a crise enfrentada pela Grécia, voltou a ser destaque nesta terça-feira. Em Luxemburgo, durante um encontro com o presidente da zona euro, Jean-Claude Juncker, a chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou que este fundo só funcionaria se fossem previstas penalidades para os países que não controlassem suas finanças públicas.

Prudente, Merkel reiterou que vários pontos precisam ser esclarecidos. A criação de um fundo monetário europeu, por exemplo, exigiria um novo tratado a ser aprovado pelos 27 países do bloco. O tratado de Maastricht veta o resgate dos países integrantes da União Européia. E um consenso entre os governos europeus sobre um novo tratado é tarefa difícil. Mas se a França e a Alemanha chegarem a um acordo,  essas propostas podem se tornar a base para a revisão mais radical das regras referentes ao euro desde o moeda única europeia foi lançada, em 1999.

O plano da Alemanha e França lançarem uma ampla iniciativa para reforçar a cooperação e a vigilância econômica na zona do euro veio à tona, depois que o governo grego pensou em recorrer ao Fundo Monetário Internacional, hipótese que não agrada as autoridades da zona do euro, que preferem uma « solução europeia. » Os primeiros detalhes de um plano, que inclui o fundo monetário europeu, foram revelados no último final de semana, pelo ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble.

Tratado

 A criação do Fundo necessitaria de uma mudança do Tratado que rege atualmente o bloco, prevendo um plano de ajuda a um país da zona euro em dificuldade. A França é reticente, considerando que a modificação do Tratado seria muito longa e lembra que a União Europeia levou dez anos para instaurar o Tratado de Lisboa.

O governo francês também insiste na urgência de uma ajuda financeira à Grécia, garantindo que vai apoiar o governo. O primeiro-ministro grego também está nesta terça-feira em Washington, onde se reúne com o presidente Barack Obama. Georges Papandreou tenta conseguir apoio para que o Grupo dos 20 aja contra os especuladores, acusados por ele de serem responsáveis pela gigantesca divida grega.

Pela segunda vez em quinze dias, os gregos estarão novamente nas ruas na quinta-feira contra o plano de austeridade imposto ao país para se recuperar da crise. As grandes centrais sindicais estarão à frente das passeatas, para protestar contra os cortes salariais na função pública, o congelamento das aposentadorias no setor público e privado, assim como uma alta de dois pontos no imposto de circulação de mercadoria, que agora será de 21%.

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