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Costa de Marfim

Queixa aqui em França contra antigo PM marfinense, Guillaume Soro, por "assassinato"

Antigo Primeiro-ministro marfinense, Guillaume Soro, no passado 29 de Janeiro de 2020 aqui em Paris.
Antigo Primeiro-ministro marfinense, Guillaume Soro, no passado 29 de Janeiro de 2020 aqui em Paris. © AFP - Lionel Bonaventure

Ontem foi apresentada aqui em Paris uma queixa contra o antigo Primeiro-ministro marfinense Guillaume Soro, por "assassinato", "tortura" e "crimes de guerra" em 2004 e 2011, durante períodos de instabilidade no seu país.

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Na queixa apresentada esta Quinta-feira, o antigo chefe do governo marfinense foi apresentado como sendo o mandante do rapto, tortura e assassinato de Ibrahima Coulibaly, seu antigo aliado na luta contra o antigo presidente Gbagbo que rapidamente se tornou o seu principal adversário.

A rivalidade entre os antigos chefes rebeldes tiveram expressão nomeadamente na noite de 20 a 21 de Junho de 2004 em Bouaké, no centro, e Korhogo, no norte do país, acontecimentos que se traduziram por massacres pelos quais os queixosos, próximos de Ibrahima Coulibaly, pretendem responsabilizar Guillaume Soro, igualmente culpado, a seu ver do assassinato do seu líder a 27 de Abril de 2011.

O assassinato de Ibrahima Coulibaly, apenas duas semanas depois da detenção do antigo presidente Gbabgo, ao cabo de 4 meses de crise pós-eleitoral provocada pela sua recusa em reconhecer a sua derrota frente a Alassane Ouattara nas presidenciais de finais de 2010, aconteceu numa altura em que Coulibaly -então na clandestinidade- teria informado a ONU da sua intenção de se entregar. Contudo naquele dia, próximos dele, nomeadamente o seu irmão, foram mortos antes de ele próprio ser raptado e o seu corpo ser encontrado algumas horas depois. Acontecimentos que nunca chegaram a ser esclarecidos.

Depois deste episódio, Guillaume Soro tornou-se Primeiro-ministro do Presidente Ouattara e em seguida, presidente do parlamento em 2012, antes de romper com o chefe de Estado marfinense no início de 2019, tendo-se instalado em França em finais desse mesmo ano. Uma mudança de residência que serviu de justificação para a queixa ser apresentada aqui em Paris.

A equipa de defesa de Guillaume Soro que desmente estas acusações, já declarou que vai apresentar queixa por "denúncia caluniosa" e considerou que se "trata de uma tentativa de desacreditar a sua candidatura" às presidenciais marfinenses previstas para o próximo mês de Outubro.

Guillaume Soro, refira-se, foi condenado no seu país no passado 28 de Abril a 20 anos de prisão por "desvio de fundos públicos" e "branqueamento de capitais" no âmbito da aquisição da sua residência em Abidjan em 2007. Ele está igualmente a ser investigado por uma alegada "tentativa de insurreição".

 

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