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Burundi

Véspera de presidenciais sob alta tensão no Burundi

O Banco Mundial estima que 75% dos 11 milhões de habitantes do Burundi vivem abaixo do limiar da pobreza. (imagem de ilustração)
O Banco Mundial estima que 75% dos 11 milhões de habitantes do Burundi vivem abaixo do limiar da pobreza. (imagem de ilustração) AFP

Apesar da epidemia de coronavírus que no Burundi infectou oficialmente 42 pessoas e causou um morto, este país organiza nesta quarta-feira eleições gerais sob alta tensão, este escrutínio devendo marcar uma viragem depois do historial de violências que marcaram o último mandato do Presidente Nkurunziza cuja contestada eleição pela terceira vez em 2015 gerou violências que causaram pelo menos 1200 mortos e 400 mil deslocados.

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Amanhã, um pouco mais de 5 milhões de eleitores vão ser chamados às urnas para eleger os seus deputados, conselheiros locais bem como o sucessor do Presidente Pierre Nkurunziza que em 2018 criou a surpresa ao anunciar que não iria recandidatar-se apesar da adopção pouco antes de uma reforma constitucional que lhe permitia brigar um novo mandato.

No poder desde 2005, a sua contestada reeleição em 2015 mergulhou o país novamente na violência, depois de longos anos de uma guerra civil entre hutus e tutsis que causou a morte de 300 mil pessoas entre 1993 e 2006.

De acordo com o Tribunal Penal Internacional que tem estado a investigar a situação do país, nos últimos cinco anos, o Burundi tem continuado a viver num ambiente de repressão. Para além das 1200 vítimas mortais imputadas essencialmente aos Imbonerakure, jovens apoiantes do partido no poder, mas também a membros da polícia e do exército, organizações da sociedade civil denunciam detenções e execuções arbitrárias, raptos, torturas e violências sexuais contra opositores e defensores dos Direitos do Homem.

Uma campanha marcada pela desconfiança

Nestas presidenciais para as quais concorrem sete candidatos, o grande favorito é o general Evariste Ndayishimiye, sucessor designado pelo presidente cessante, o seu principal adversário sendo Agathon Rwasa, líder desde o começo dos anos 2000 de um dos principais movimentos rebeldes do país. "O povo não vai deixar que lhe roubem a vitória" avisou o opositor durante a campanha, enquanto o partido no poder também referia "não encarar outra hipótese senão ganhar as presidenciais".

Este escrutínio cuja fase preparatória foi marcada por confrontos entre apoiantes de partidos rivais, tem tido também o selo da desconfiança. A CNE é acusada pela oposição de estar sob a alçada do partido no poder, enquanto a ONU e a União Africana, suspeitas pelo campo presidencial de serem próximas da oposição, não tiveram luz verde para enviar observadores. A nível nacional, nem a Igreja Católica nem tão pouco a sociedade civil vão enviar observadores para o terreno.

Desafios pela frente

Para além deste clima de tensão, a campanha eleitoral decorreu no contexto particular criado pela covid-19, o Burundi sendo um dos únicos países, juntamente com o Mali, Benim e Maláui a ter optado por manter as eleições apesar da crise sanitária. Oficialmente com 42 casos positivos e um óbito, contrariamente ao vizinho Ruanda, o Burundi não decretou o confinamento da sua população, o poder considerando que o país está "protegido pela graça divina". Médicos e opositores contudo contestam a visão oficial e acusam o governo de ocultar informações. Indício de algum mal-estar, o poder ordenou a expulsão de 4 peritos da OMS cuja missão era oferecer aconselhamento sobre a epidemia. Eles deixaram o país no sábado passado.

A somar-se ao novo desafio sanitário e económico da covid-19, o Burundi tem igualmente que lidar com o problema recorrente da miséria. Considerado como sendo um dos 3 países mais pobres do mundo, o Banco Mundial estimando que 75% dos 11 milhões de habitantes do Burundi vivem abaixo do limiar da pobreza, o país padece igualmente, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, de uma taxa record de 65% de desemprego entre os jovens, uma parte substancial da sua população.

 

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