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Política/Iémen/França

França: venda de armas embaraçosa

A ministra da Defesa  de França, Florence Parly . Paris.6 de Fevereiro de 2019
A ministra da Defesa de França, Florence Parly . Paris.6 de Fevereiro de 2019 LUDOVIC MARIN / AFP

A fuga de um documento dos serviços de informação militar estabelecendo a lista de armas francesas utilizadas pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes na guerra civil do Iémen, reabre uma dossier muito embaraçoso para a França.

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Intitulado "Iémen: a situação da segurança", o documento classificado confidencial e transmitido , segundo o site francês "Disclose", ao Presidente Macron, à ministra da defesa Florence Parly e ao seu colega dos negócios estrangeiros Jean-Yves Le Drian, detalham o material francês, utilizado não só nas zonas de guerra, mas também civil, contra os rebeldes Hutis no Iémen.

O executivo francês não desmente a existência do referido documento, mas reafirma que as armas francesas são utilizadas maioritáriamente em posições defensivas e não na linha da frente.

Denominados de Yemen Papers, os documentos contêm mapas e quadros, assim como estabelecem nomeadamente o inventário dos canhões Caesar (Nexter), utilizados pelos sauditas na fronteira entre a Arábia Saudita e o Iémen, dos tanques Leclerc equipados com munições francesas, em acção no Iémen e colocados em posições defensivas, em várias bases, das quais a de Aden , no sul do Iémen.

Segundo confirma ainda a minuta da DRM (Serviços de Informação Militar), sistemas de mira fabricados pela firma Thales, os pods (casulos) Damócles, equipam as forças sauditas e poderiam ser utilizados no Iémen.

Baseados nestes documentos, os jornalistas de Disclose em parceria com os sites Mediapart, Konbini, The Intercept, Radio France e o canal de televisão franco-alemão Arte, consideraram que as armas francesas estiveram no centro de batalhas mortíferas para os civis iemenitas.

De acordo com Disclose, em Novembro de 2018, os tanques franceses estiveram no âmago da batalha de Al Hodeïda, que resultou na morte de 55 civis.

Disclose chegou a essa conclusão, depois de ter comparado os elementos estabelecidos pela DRM (Serviços  de Informação Militar) com os vídeos e imagens de satélite.

O gabinete do Primeiro-ministro Edouard Philippe, afirmou num comunicado que a França não está ao corrente da morte de civis por armas francesas utilizadas no Iémen.

Em Outubro de 2018, a ministra da Defesa, Florence Parly garantiu que as armas (recentemente)vendidas pela França a Arábia Saudita, não tinham sido utilizadas contra as populações no Iémen, bem como não havia negociações com as autoridades sauditas para posteriores vendas.

Segundo documentos revelados pelo site Disclose as vendas de armas francesas à Arábia Saudita prosseguem. Um novo contrato assinado em Dezembro de 2018 com o país do Médio-Oriente, estipula que as vendas serão efectuadas até 2023.

Num comunicado divulgado na segunda-feira,a delegação parisiense da Amnistia International em nome de várias organizações não-governamentais, como ACAT, Care France, Federação Internacional dos Direitos Humanos, Handicap International, Human Right Watch, Médecins du Monde (Médicos do Mundo) , Observatoire des armements (Observatório dos Armamentos), Oxfam France e SumOfUs, apelaram para que a França pusesse fim imediatamente à venda de armas à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos.

As ONGs que sublinharam que está na hora de o governo francês não continuar a pôr os lucros acima das vidas humanas.

Segundo as mesmas, as investigações do site Disclose revelam pela primeira vez o que as ONGs repetiam durante meses, isto é, que os equipamentos militares franceses adquiridos pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos são utilizados na guerra no Iémen, com o grave risco de serem empregados contras as populações e outros alvos civis, o que constituiria um crime de guerra".

Desde que teve início em 2015, a intervenção da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes xiitas Hutis no Iémen,várias dezenas de milhares de pessoas foram mortas.

A ONU considera que 80% da população iemenita, necessita de uma ajuda humanitária.

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