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Política/Sudão

Sudão: retoma de negociações para Conselho de Transição

Manifestants sudaneses gritam slogans e abanam letreiros durante uma manifestação em Cartum Khartoum no dia 14 de Maio.
Manifestants sudaneses gritam slogans e abanam letreiros durante uma manifestação em Cartum Khartoum no dia 14 de Maio. MOHAMED EL-SHAHED / AFP

Os militares e o movimento de contestação no Sudão retomam, neste domingo a noite,as negociçações com vista a formação do futuro Conselho Soberano de Transição. O encontro entre os representantes das duas partes ocorre, depois da advertência lançada pelos islamistas locais sobre, segundo eles, a necessidade de manter no país do nordeste de África a lei islâmica como base do código penal .

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Os líderes da contestatação, no Sudão, afirmam estar determinados que seja um dirigente civil a chefiar a futura autoridade de transição. A postura dos contestários foi reafirmada, depois da comunidade internacional ter lançado um apelo, para que as duas partes retomassem as negociações, de modo a concluir um acordo, que resulte numa transição realmente administrada por civis.

Segundo um comunicado da Aliança pela Liberdade e a Mudança ( ALC ), vanguarda da contestação, as negociações retomam às 21 horas locais(19h00 GMT) e terão como foco a repartição, entre os militares e o movimento contestário, das pastas do Conselho Soberano de Transição, assim como a escolha do chefe da referida autoridade.

As negociações tinham sido suspensas na quarta-feira pelos generais, no poder depois da destituição de Omar al-Bashir no dia 11 de Abril, que reclamavam a retirada das barricadas, instaladas pelos manifestantes em Cartum.

Esta nova fase das discussões para a constituição do Conselho, que vai reger a transição política no Sudão, tem lugar num contexto tenso, se considerarmos que os islamistas sudaneses manifestaram sábado diante do palácio presidencial, para afirmar que não aceitarão uma administração civil, que não aplique a Xária, lei islâmica.

A Xária é aplicada no Sudão desde o golpe de Estado de Omar al-Bashir, apoiado pelos islamistas, em 1989. Segundo as organizações de direitos humanos, a implementação da lei islâmica no Sudão desembocou em vários abusos, como por exemplo o açoitamento de mulheres por alegado comportamento indecente.

Al-Tayeb Mustafa, líder de uma coligação de vinte movimentos islamistas, afirmou que a razão, pela qual eles estão mobilizados, deve-se ao facto de que a ALC (Aliança pela Liberdade e a Mudança) ignora a aplicação da Xária no âmbito do acordo negociado com os militares.

Até a data, a ALC não expressou a sua posição sobre a Xária, considerando que a prioridade é estabelecer uma administração civil.

 

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