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Zimbábue

Aumento da contestação social no Zimbabué

Um pneu a arder no bairro de Mufakose, em Harare, neste 6 de Julho.
Um pneu a arder no bairro de Mufakose, em Harare, neste 6 de Julho. REUTERS/Philimon Bulawayo

Os últimos dias têm sido de forte contestação social no Zimbabué com uma operação "cidade fantasma" amplamente seguida ontem nas principais cidades do país nomeadamente em Harare a capital, em resposta a um apelo lançado via as redes sociais por Evan Mawarire, um pasto de 39 anos que pretende protestar contra o executivo de Mugabe que "permitiu a corrupção, a injustiça e a pobreza".

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O centro da capital, os comércios, os bancos estavam ontem vazios e centenas de jovens bloquearam as estradas no bairro de Mufakose, no oeste de Harare, a polícia tendo dispersado com gás lacrimogéneo os manifestantes que observavam este movimento de greve, uma ocorrência inédita num país dirigido com mão de ferro desde a sua independência em 1980, por Robert Mugabe, 92, herói da libertação que aos poucos se converteu em líder de um dos regimes mais autoritários do continente.

Esta operação de bloqueio surgiu na sequência de violentos confrontos na segunda-feira entre a polícia e motoristas de táxis e autocarros que desembocaram na detenção de uma centena de pessoas, a organização dos advogados para os Direitos do Homem no Zimbabué tendo igualmente contabilizado feridos mordidos por cães-polícia. No dia seguinte, na terça-feira, foi a vez de os funcionários cessarem o trabalho para protestar contra a ausência de pagamento dos seus salários. Calcula-se que num país onde 90% da população não tem emprego formal, pelo menos 80% do Orçamento do Estado é gasto no pagamento dos salários dos funcionários.

Refira-se que no aspecto político, o MDC, Movimento para a Mudança Democrática, tinha organizado em Abril uma mega-manifestação para reclamar a demissão de Robert Mugabe. Desde o início da década de 2000, o Zimbabué que outrora foi um dos "celeiros" de África Austral, tem estado a conhecer dificuldades económicas designadamente com uma reforma agrária que resultou na desestabilização do sector agrícola do país, já a braços com uma seca devastadora. A crise económica culminou com o abandono da divisa nacional em 2009 devido à inflação galopante.

Para o analista político moçambicano Silvério Ronguane esta situação não é surpreendente e o que é estranho, do seu ponto de vista, é que este movimento de protesto tenha demorado tanto tempo a surgir.

 

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