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UNIÃO AFRICANA

“A Unidade é o legado da União Africana"

Dlamini Zuma falou nos desafios económicos e sociais do continente, evocou as consequências do Brexit e das eleições nos EUA e sublinhou que a unidade do continente não deve ser posta em causa.
Dlamini Zuma falou nos desafios económicos e sociais do continente, evocou as consequências do Brexit e das eleições nos EUA e sublinhou que a unidade do continente não deve ser posta em causa. www.au.int

 A Presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, inaugurou esta manhã os trabalhos da 30° sessão Ordinária do Conselho Executiva, em Addis Abeba, capital da Etiópia. Num discurso de abertura, Dlamini Zuma falou nos desafios económicos e sociais do continente, evocou as consequências do Brexit e das eleições nos EUA  e sublinhou que a unidade do continente não deve ser posta em causa. 

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Naquele que pode vir a ser um dos últimos discursos enquanto presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, não poupou palavras e aproveitou a ocasião para enviar alguns recados. Numa mensagem clara e dirigida a Marrocos, que anseia regressar ao seio da UA exigindo como contrapartida a saída da República Árabe Sarauí Democrática, Dlamini Zuma lembrou que a solidariedade entre povos é fundamental.

“Independentemente das decisões que tomarmos nesta cimeira, temos de manter a unidade do continente e da União Africana”, reiterou.

Todavia, o facto de o Parlamento ter aprovado na semana passada, em Rabat, o acto constituinte da União Africana que reconhece as fronteiras da República Árabe Sarauí Democrática, faz renascer a esperança do povo sarauí.

Terrorismo, Brexit e eleições nos EUA

No seu discurso, a presidente da Comissão da União Africana fez alusão ao flagelo do terrorismo que ameaça a estabilidade e a paz no mundo. “ Os conflitos actuais não deixam nenhum país de fora, a proliferação de armas ameaça a paz no mundo e o dinheiro que é gasto em armamento devia ser utilizado na promoção do desenvolvimento”, sublinhou.

Dlamini Zuma reconheceu igualmente os perigos e as consequências da globalização que culminou num “proteccionismo desmesurado”, dando como exemplo o Brexit e os resultados das eleições norte-americanas. “Os países optam cada vez mais por medidas proteccionistas. Há cada vez mais licenciados desempregados, os ricos estão cada vez mais ricos e a classe média está ameaçada”, acrescentou

Contudo, lembrou que este pode ser o momento para o continente africano se afirmar no mundo e ser mestre do seu próprio destino. “O sector das tecnologias e dos transportes podem ser o caminho para alcançar esse progresso”, concluiu.

Conflitos no continente

Na altura do adeus, Dlamini Zuma optou pela generalidade ao falar dos conflitos que ameaçam a estabilidade no continente. A presidente da Comissão da UA não fez em qualquer momento referência à crise politica na Gâmbia e cuja mediação da CEDEAO evitou que o país mergulhasse numa guerra civil. De fora ficaram também o Burundi e o Sudão do Sul, que vivem ambos conflitos a que a União Africana tem sido acusada de fechar os olhos.

Nesta cimeira deve ser encontrado aquele que vai substituir Dlamini Zuma na presidência da Comissão da União Africana. Na corrida à eleição está a ministra dos Negócios Estrangeiros do Botswana, Pelonomi Venson-Moitoi, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Amina Mohamed Jibril, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial, Agapito Mba Mokuy, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, Faki Mahamat e Abdoulaye Bathily, candidato do Senegal e da CEDEAO.

Em baixo, confira a crónica de Neidy Ribeiro, enviada especial da RFI a Addis Abeba.

 

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