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Zimbabué

Zimbabué: era Mugabe continua...sem Mugabe

Emmerson Ngangagwa, novo Presidente do Zimbabué na cerimónia de investidura do governo 4/12/2017 à la State House, à Harare, 4 décembre 2017.
Emmerson Ngangagwa, novo Presidente do Zimbabué na cerimónia de investidura do governo 4/12/2017 à la State House, à Harare, 4 décembre 2017. REUTERS/Philimon Bulaway

O novo Presidente do Zimbabué Emmerson Mnangagwa prestou hoje juramento e deu posse ao novo executivo, com apelos à unidade, para relançar a economia do país, onde 90% da população está desempregada.

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Antigo vice-Presidente, ex ministro da Justiça, das Finanças, da Defesa, presidente do parlamento, responsável pela segurança do Estado e pelas últimas eleições, o Presidente Emmerson Mnangagwa de 75 anos, investido a 24 de Novembro, três dias depois da demissão do Robert Mugabe com 93 anos, por pressão dos militares e após 37 anos de poder, vai terminar o mandato do Presidente cessante, antes de novas eleições presidenciais e legislativas previstas até Agosto de 2018, mas é o candidato do partido de Mugabe a ZANU-PF - União Africana Nacional do Zimbabué - Frente Patriótica, no poder desde a independência do país em 1980, de que é o novo presidente.

A grave crise económica que o Zimbabué vive, foi despoletada no inicio dos anos 2000, devido à controversa reforma agrária, que levou à expulsão do país milhares de farmeiros brancos.

Oficialmente 90% da população está desempregada e o país minado pela corrupção não tem liquidez, o que levou o novo Presidente a lançar na semana passada um ultimato de três meses, para que as empresas e particulares repatriem os capitais ilegalmente saídos do país.

Mas o facto de o novo governo incluir militares de alto escalão (que se reformaram para integrar este executivo) bem como antigos ministros e membros da velha guarda de Robert Mugabe, poderá afastar os potenciais investidores.

O governo de 22 membros hoje empossado (menos 11 do que o anterior) não inclui nenhum membro da oposição e é a manutenção da era Mugabe, segundo o seu líder Morgan Tsvangirai.

O executivo tem como novo chefe da diplomacia o general Sibusiso Moyo, que a 15 de Novembro anunciou na televisão estatal a intervenção militar, que culminou na demissão de Mugabe, e é citado num relatório da ONU sobre a pilhagem dos recursos naturais na RDC, o novo ministro da agricultura, é o general da Força Aérea Perence Shiri, que com o actual Presidente dirigia a tristemente célebre divisão militar Gukurajundi, formada na Coreia do Norte, que causou cerca de 20 mil mortos em 1983, durante operações de repressão nas regiões de Matabeleland , no oeste do Zimbabué e Midlands no centro.

Estes militares viram-se assim recompensados pelo seu papel determinante na demissão de Robert Mugabe e na ascensão de Emmerson Mnangagwa, que quando tomou posse afirmou que o Zimbabué vivia o auge de uma nova democracia.

 

 

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