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União Europeia / migrações

Migrantes menores explorados sexualmente para passar da Itália para França

Capa do relatório em italiano intitulado "piccoli schiavi invisibili", "pequenos escravos invisíveis".
Capa do relatório em italiano intitulado "piccoli schiavi invisibili", "pequenos escravos invisíveis". Heddin Halldorsson - Save The Children

Em vésperas do Dia Internacional de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos que se assinalou nesta Segunda-feira, a antena italiana da ONG "Save The Children" publicou no 27 de Julho um relatório denunciando a situação de migrantes menores explorados sexualmente para poderem pagar a sua passagem de Itália para França. Ao todo, esta entidade contabilizou 1.900 jovens nesta situação, entre os quais pelo menos 160 crianças, entre Janeiro de 2017 e Março de 2018.

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De acordo com este documento que evoca numerosos casos de exploração de menores num sentido lato, designadamente a exploração laboral, esses menores essencialmente oriundos de África Subsariana, principalmente da Nigéria (68,5%), seguidos por menores oriundos da Roménia (28%) são forçados a prostituírem-se para pagar os 50 a 150 Euros exigidos pelos passadores para atravessarem a fronteira entre a Itália e a França ou para terem comida e abrigo.

Esses jovens não acompanhados, na sua maioria raparigas, que chegam à Europa no intuito de se juntarem às suas famílias ou conhecidos noutros países-membros da União Europeia, encontram-se na incapacidade de chegar ao seu destino por vias seguras e legais e, segundo a "Save the Children", ficam por conseguinte "muito expostos aos riscos de abusos e de exploração sexual".

Ao referir que a situação na zona de Ventimiglia, na fronteira entre a Itália e a França, tem vindo a piorar desde que um campo de migrantes se instalou ilegalmente no começo de Abril junto do rio Roya naquela cidade, o relatório da "Save the Children" indica que menores são igualmente explorados noutras zonas do país, em Roma bem como nas regiões de Venezia, Abruzzo, Marche e na Sardenha.

Esta situação da qual a "Save The Children" refere ter recolhido provas designadamente desde o começo deste ano, é dada a conhecer numa altura em que outra entidade, a Oxfam, acaba de denunciar em Junho o desempenho da polícia das fronteiras francesa, que acusa de ter reencaminhado ilegalmente migrantes menores para Itália e de manter em detenção crianças por vezes com 12 anos de idade sem água nem alimentos.

Para Elsa Lechner, especialista de questões migratórias ligada ao Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, esta situação é uma consequência directa da criminalização dos movimentos migratórios.

De referir que ainda recentemente a ONG de luta contra a escravatura moderna "Walk Free" publicou um relatório contabilizando um pouco mais de 40 milhões de pessoas vivendo em situação de escravidão, uma noção que inclui designadamente o tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual.

Apesar de não se ter um conhecimento exacto do número de vítimas do tráfico de seres humanos, estimativas oficiais indicam que dos milhões de pessoas abrangidas pelo fenómeno, 29 milhões, ou seja 71%, seriam mulheres e meninas, sendo que nenhuma região do globo está isenta.

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