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China/África

África: prioridade da China

Wang Yi, ministro dos negócios estrangeiros da China
Wang Yi, ministro dos negócios estrangeiros da China REUTERS/Damir Sagolj/

O chefe da diplomacia chinesa Wang Yi inicia esta quarta-feira em Adis Abeba, capital da Etiópia, um périplo pelo continente africano que até domingo o conduzirá ainda ao Burkina Faso, Gâmbia e Senegal.

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Tradicionalmente e desde há alguns anos a diplomacia chinesa organiza um périplo africano no inicio de cada ano, o que ilustra a importância do continente para a China, que é também um dos quatro países que constituem o grupo designado BRICS, com o Brasil, a Índia e a África do Sul.

Em 2018 intensificaram-se as relações entre o gigante asiático e o continente africano, com a visita de vários líderes e chefes de Estado à China, a abertura em Pequim de uma delegação da União Africana e sobretudo com a organização entre 3 e 4 de setembro em Pequim do terceiro Fórum de Cooperação China-África - FOCAC, os precedentes tiveram lugar em Pequim em 2006 e em Joanesburgo em 2015.

Nesta cimeira bilateral o Presidente Xi Jinping negou que a China exerca uma diplomacia baseada na "armadilha da dívida", em resposta aos críticos que acusam a China de conceder avultados empréstimos aos países africanos, a troco da exploração dos seus recursos naturais como o petróleo, matérias primas e produtos agrícolas e não no desenvolvimento do continente.

A China é um importante parceiro comercial, importando muito mais do que exporta do continente africano, mas este transformou-se num importante receptor de exportações chinesas, designadamente no domínio das telecomunicações, bens de consumo e têxteis.

Xi Jingping cancelou as dívidas de alguns dos mais pobres países africanos e anunciou um programa de investimentos orçado em 60 mil milhões de dólares, para projectos de construção e melhoria de parques industriais em África, treinamento de mais de 200 mil especialistas e a atribuição de cerca de 40 mil bolsas de estudo na China.

Pequim presta também assistência em segurança e combate ao terrorismo, com treinamento de soldados para combater grupos terroristas como o Boko Haram na Nigéria, o Al Shebab na Somália, ou ainda o Al Qaeda no Magreb Islâmico.

Na Etiópia existem mais de 400 empresas chinesas com investimentos de cerca de quatro mil milhões de dólares, que empregam cerca de 100 mil pessoas em sectores prioritários como a manufatura e a construção de infraestruturas.

Wang Yi vai também visitar a sede da União Africana em Adis Abeba e avistar-se com o presidente da comissao Moussa Faki Mahamat, com quem vai avaliar a implementação dos primeiros resultados da colaboração bilateral desde setembro

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, visita ainda o Senegal, Burkina Faso e Gâmbia, sendo a primeira vez que se desloca a estes dois últimos países, dado que a Gâmbia só estabeleceu relações diplomáticas com Pequim em 2016 e o Burkina Faso em 2018, sendo que tal como Angola, África do Sul, Nigéria, Gana, Zimbabué e Ilhas Maurícias a moeda chinesa - o yuan - é aceite no intercâmbio comercial.

No seio dos 55 países da União Africana apenas a Suazilândia não tem relações diplomáticas com a China, mantendo-as com Taiwan.

 

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