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Líbia

Divisão internacional perante a violência na Líbia

Habitantes de Tripoli recolhem-se junto dos caixões de vítimas de um bombardeamento, no 17 de Abril de 2019.
Habitantes de Tripoli recolhem-se junto dos caixões de vítimas de um bombardeamento, no 17 de Abril de 2019. REUTERS/Hani Amara

A ONU anunciou hoje ter evacuado para o Níger 163 refugiados vítimas do agudizar da violência na Líbia, referindo que mais de 3 mil outros permanecem em centros de detenção na Líbia, sem a possibilidade de fugir. Entretanto, nas imediações de Tripoli, a capital, continuam os combates entre os homens do Marechal Haftar e o exército do governo reconhecido pela ONU, sem que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas tenham conseguido ontem chegar a um consenso sobre um projecto de resolução reclamando um cessar-fogo e um acesso humanitário incondicional às zonas em conflito.

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Ontem, durante uma conferência vídeo com os representantes dos 15 países membros do Conselho de Segurança, o emissário da ONU na Líbia, Ghassan Salamé teceu advertências sobre o risco de um conflito generalizado no país depois do desencadeamento no passado 4 de Abril da ofensiva do autoproclamado Exército Nacional Líbio do Marechal Haftar sobre Tripoli, área sob controlo dos seus adversários do governo de União Nacional chefiado por Fayez al-Sarraj, única entidade reconhecida pela ONU.

Apesar dos avisos, a adopção da resolução proposta pelo Reino Unido apelando a um cessar-fogo e um acesso humanitário incondicional às zonas em conflito foi bloqueada pelos Estados Unidos e a Rússia, Moscovo referindo apenas que a sua oposição se relaciona com o facto do projecto de resolução acusar os seus aliados, os combatentes do Marechal Haftar, de estar na origem da escalada do conflito no país, enquanto Washington se escusava ontem a fazer qualquer comentário.

Os esclarecimentos sobre a posição dos Estados Unidos vieram mais tarde, esta Sexta-feira, quando a Casa Branca anunciou que o Presidente Trump tinha mantido uma conversa telefónica com Haftar sobre "uma visão comum" para a Líbia. De acordo com o executivo americano, Trump e o Marechal evocaram a "necessidade de se alcançar a paz e estabilidade" no país e falaram também de uma "transição da Líbia para um sistema político democrático e estável".

Neste novo agudizar da violência no frente-a-frente entre o campo de Haftar e Sarraj que dura desde a queda de Kadhafi em 2011, cada um vai mostrando as suas preferências, um xadrez no qual a França tem sido suspeita de também tender mais para o campo de Haftar.

Paris que apoiou de longa data o Marechal no combate ao terrorismo, no âmbito do qual obteve algumas vitórias nomeadamente em 2016 em Benghazi, foi acusado ontem abertamente pelo campo de Sarraj que continuar a estar do seu lado. "Acusações totalmente infundadas" indicou no seu desmentido ontem à noite a Presidência francesa referindo "apoiar o governo legítimo do Primeiro-ministro Fayez al Sarraj e a mediação da ONU para uma solução política inclusiva na Líbia".

Refira-se que, segundo um último balanço estabelecido pela OMS, desde o começo da ofensiva de Haftar, pelo menos 205 pessoas morreram e 913 foram feridas, sendo que de acordo com a Organização Internacional para as Migrações, cerca de 25 mil pessoas tiveram que se deslocar devido às violências.

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