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SUDÃO

Sudão: militares e manifestantes esgrimem argumentos

Cartum, capital sudanesa, a 3 de Junho de 2019.
Cartum, capital sudanesa, a 3 de Junho de 2019. REUTERS/Stringer

A contestação promete prosseguir no Sudão. Não obstante pelo menos 35 pessoas terem morrido nesta segunda-feira, com registo de mais de 100 feridos na repressão policial contra manifestantes acampados há semanas frente ao Comando geral do exército e do Ministério da Defesa, no centro de Cartum, apelando à transferência do poder aos civis pelo Conselho militar que assumiu o poder após a queda de Omar al Bashir.

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, já condenou a dispersão violenta dos manifestantes, o uso excessivo da força e diz-se alarmado por as forças de segurança terem aberto fogo no interior de um hospital.

Também a União Africana exige uma investigação imediata e a ong de defesa de direitos humanos Amnistia Internacional exige sanções.

Um comunicado do Conselho militar foi lido na televisão por Abdel Fattah Al-burhan prometendo eleições num prazo máximo de nove meses.

"As últimas negociações com as forças de liberdade e de mudança foram suspensas, haverá eleições gerais num prazo que não vai ultrapassar nove meses a partir de hoje, sob vigilância internacional.

Um governo será formado por um período de transição com as seguintes missões: perseguir os homens do antigo regime acusados de corrupção e trabalhar por uma paz geral e duradoura em várias regiões em conflito, o que vai permitir o regresso dos refugiados a suas casas.

O Conselho militar mantém-se fiel ao seu primeiro comunicado e vai ceder o poder aos que serão escolhidos pelo povo. Prometemos também abrir uma investigação sobre os acontecimentos desta segunda-feira."

O enviado especial da filial da RFI em árabe, MCD, entrevistou em Cartum Nahed Jabrallah.

Trata-se de uma representante do Comité de negociações. Ela própria ficou ferida nos confrontos desta segunda-feira no centro de Cartum e testemunhou a partir do hospital.

"Estou no Hospital Faudail. É um hospital privado que faz parte dos estabelecimentos que, em regime de benevolência, dão tratamento aos feridos. Nesta altura somos cerca de cinquenta feridos no hospital. São pessoas com ferimentos por paus e chicotes e entre os feridos há também crianças e idosos."

Neste contexto os líderes dos protestos apelam à "desobediência civil total" para derrubar os líderes militares após uma concentração de semanas dos manifestantes junto ao quartel general do exército.

Omar al Bashir acabou por ser derrubado pelo exército a 6 de Abril quando os protestos alastravam no Sudão desde 19 de Dezembro do ano passado, e isto na sequência do aumento do preço do pão cuja tarifa triplicara.

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