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EGIPTO

Egipto: as perguntas depois do enterro de Morsi

Manifestante pró-Morsi, em Janeiro de 2015 no Cairo.
Manifestante pró-Morsi, em Janeiro de 2015 no Cairo. AFP PHOTO / MOHAMED EL-SHAHED

A ONU pediu uma investigação sobre a morte de Mohamed Morsi, antigo presidente do Egipto. Em causa, preocupações sobre as condições de detenção do antigo chefe de Estado, que estava preso desde 2013. Mohamed Morsi foi enterrado esta terça-feira, numa pequena cerimónia sob alta protecção policial, um dia depois de ter sofrido um ataque cardíaco durante uma audiência em tribunal.

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Morsi foi o primeiro presidente eleito democraticamente na história moderna do Egipto. A sua presidência foi curta. Durou apenas um ano, ao ter sido destituído em 2013 pelo actual presidente do Egipto, Abdel Fatah El Sisi, e a sua vida acabaria por terminar ontem com um ataque cardíaco num tribunal.

O ex-presidente acabaria por ser enterrado discretamente a leste do Cairo poucas horas depois.

A sua morte não poderia deixar de gerar controvérsia. Condições precárias durante seis anos de detenção poderão ter acelerado a deterioração da sua saúde, mas é improvável que Morsi tenha sido assassinado, porque há poucas ou nenhumas razões para isso.

O ex-presidente é uma figura marginal na vida política do Egipto desde pelo menos 2014, e o mesmo se pode dizer da Irmandade Muçulmana.

Quase todos os líderes ou apoiantes desta organização se encontram detidos, exilados ou em silêncio desde há vários anos.

Não é de surpreender que apenas um jornal dito independente tenha publicado hoje em primeira página o falecimento do ex-presidente.

A explicação reside na limitada liberdade de imprensa instaurada no Egipto no período pós Primavera Árabe. De notar que o actual regime tem assumido este posicionamento como necessário para manter o país estável.

O percurso de Morsi é uma história de infortúnio. Quando foi escolhido para representar a Irmandade Muçulmana nas primeiras eleições democráticas do Egipto, não era sequer um dos membros mais proeminentes da organização.

De notar, também, que a Irmandade esteve à beira de nem sequer participar no sufrágio.

Durante a sua presidência, Mohamed Morsi pareceu sempre um homem inseguro, tentando disfarçar a sua falta de autoridade com uma linguagem corporal de general que acabaria por nunca assimilar.

A sua aventura política já tinha terminado e a sua vida cessou ontem de forma inesperada.

Confira aqui a correspondência de Pedro Costa Gomes no Cairo.

Correspondência de Pedro Costa Gomes

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