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Vida em França

O “novo som” de Portugal ouve-se em Paris

Áudio 07:00
Artista angolana Pongo está de novo em Paris para um concerto a 17 de Outubro de 2019 na sala La Cigale.
Artista angolana Pongo está de novo em Paris para um concerto a 17 de Outubro de 2019 na sala La Cigale. Carina Branco/RFI

Pongo, Venga Venga, Paus, Best Youth e Pedro Mafama vão subir ao palco esta quinta e sexta-feira, em Paris, no MaMA Festival & Convention. Portugal é o país convidado desta 10ª edição e é descrito como o viveiro de “muita criatividade” que está a criar “um som particular” graças à mestiçagem de influências entre a música tradicional portuguesa e os sons de Angola, Moçambique, Brasil ou Guiné-Bissau.

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Dez anos de festival marcados por imensas descobertas. O MaMA Festival & Convention, em Paris, revelou artistas como Christine & The Queens, Eddy de Pretto e Angèle e quer continuar a criar pontes entre os artistas e a indústria musical, de acordo com o seu director, Fernando Ladeira Marques.

Este ano, mais de cem concertos à noite e 150 conferências durante o dia, com 6.000 profissionais do mundo da música, marcam uma edição aniversário em que Portugal é o país convidado. Fernando Ladeira Marques explica que a escolha tem a ver com Portugal ser actualmente um viveiro de “muita criatividade” mas com “pouca visibilidade”.

Em Portugal, muitos artistas são originários de Angola, de Moçambique, do Brasil, da Guiné-Bissau, juntam-se com músicos portugueses e criam um som particular. O primeiro sucesso internacional foi Buraka Som Sistema e atrás dessa banda aparecem cada dia bandas novas”, descreveu.

Pongo, Venga Venga, Paus, Best Youth e Pedro Mafama são os cinco nomes oriundos de Portugal no cartaz com artistas de várias nacionalidades, ainda que a maioria sejam franceses. A angolana Pongo, que há 11 anos ficou conhecida como a voz dos Buraka Som Sistema, vai actuar, esta quinta-feira, na sala La Cigale e acredita que a participação no festival pode abrir novas portas. “O MaMA Festival é um grande suporte para um projecto inicial como o meu”, destacou.

O grupo Paus aparece no cartaz do festival pela segunda vez e vai mostrar uma faceta mais contemporânea e vanguardista da cena musical portuguesa. Uma “banda improvável”, descreve Hélio Morais, o baterista, que fala “numa misturada, uma coisa muito rítimica, intensa” e com influências africanas e anglo-saxónicas.

É uma banda que tem uma bateria siamesa que é uma bateria unida pelo mesmo bombo e pelo mesmo prato ‘ride, não tem guitarras, tem um tipo que é o Fábio a tocar sintetizadores, tem outro que é o Makoto a tocar baixo. Nem sempre o baixo soa a baixo, nem sempre os teclados soam a teclados. Muitas vezes os teclados soam a baixo e o baixo soa a teclados”, explicou.

O arranque do festival, na quarta-feira, foi dado por uma conferência sobre o mercado da música ao vivo em Portugal. Os intervenientes apontaram a existência de 21 grandes festivais, entre 380 festivais de música em todo o país, e salientaram o fervilhar de um novo som mais experimental que está a crescer em Portugal.

Curiosamente e extraordinariamente, o nosso país tem um talento fantástico. Hoje em dia temos portugueses com origens asiáticas, africanas, brasileiras, europeias, por aí fora, e isso está a gerar um novo movimento musical cheio de influências e com uma riqueza única que se pode escutar nas músicas populares contemporâneas”, defendeu António Miguel Guimarães, director da agência de promoção AMG Music.

Na sala Elysée Montmartre, onde produtores, agentes, editores, jornalistas e músicos se cruzam, há um espaço chamado “Portugal Muito Maior”. Trata-se de um projecto com o apoio do governo que vai ajudar na participação de músicos portugueses em feiras nacionais e internacionais. O músico João Gil, coordenador do projecto, explicou também que vai ser lançado um inventário digital de artistas lusos espalhados pelo mundo.

O MaMA Festival & Convention começou esta quarta-feira e termina esta sexta-feira. Hoje à noite sobem ao palco o duo luso-brasileiro Venga Venga e a angolana Pongo que está a preparar o seu segundo EP em França para ser lançado em Novembro. Nessa altura, difundiremos uma entrevista especial com ela.

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