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Argentina/economia

Fim de ano na Argentina é marcado por consumo excessivo e saques

Manifestantes nas ruas de Buenos Aires em 19 de dezembro de 2012
Manifestantes nas ruas de Buenos Aires em 19 de dezembro de 2012 REUTERS/Marcos Brindicci

Num país onde todas as aplicações bancárias rendem menos do que a inflação e onde não se pode mais comprar moeda estrangeira, o que fazer então com o dinheiro para não perder a corrida contra a inflação galopante? Consumir, gastar e rápido.Mesmo que o país tenha parado de crescer economicamente, as vendas no Natal aumentaram 35% em relação ao ano passado.  

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Márcio Resende, correspondente da RFI em Bueno Aires

Na Argentina, o consumo ganha mais fôlego com descontos que chegam a até 50% se o pagamento for feito com cartão de crédito nos shoppings que ficaram abertos até as quatro da manhã nos últimos dois dias, por conta do Natal. A estratégia do governo tem sido injetar liquidez no mercado e fechar as portas para que esse dinheiro não saia do país. Restringem-se as importações, limitam-se as remessas das multinacionais e proíbe-se a compra de dólares até mesmo para viajar. O resultado é uma massa de dinheiro que precisa ser escoada, o que explica o estímulo ao consumo.

Sem poder poupar, os argentinos são hoje ricos em consumo, mas pobres em patrimônio. Mas o outro lado dessa moeda desvalorizada acontece na classe baixa desempregada e sem conta bancária. A pobreza tem sido alimentada pela inflação entre 25 e 30% ao ano. Mais de 3 mil policiais tiveram de interromper a folga de Natal para reforçar o policiamento em favelas e shoppings na Província de Buenos Aires.

O reforço visa conter a onda de saques a comércios e a supermercados em diversas cidades nos últimos dias. Mais do que alimentos, a multidão roubou roupas, brinquedos e aparelhos eletrônicos. Segundo a Confederação Argentina da Média Empresa, foram saqueados 292 comércios em 40 cidades. No total, 500 comércios foram atingidos, somando aqueles que foram saqueados aos que tiveram danos materiais por vandalismo.  O prejuízo com mercadorias e danos a chegou 6 milhões de dólares, sem contar as lojas que precisaram fechar as portas justamente no dia de maior consumo do ano: o Natal.
 

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