Acesso ao principal conteúdo
EUA/Ferguson

Autópsia revela que jovem morto no sul dos EUA levou seis tiros

A cidade de Ferguson, nos EUA, tem sido palco de confrontos entre a polícia e os manifestantes desde a morte do jovem negro de 18 anos pela polícia
A cidade de Ferguson, nos EUA, tem sido palco de confrontos entre a polícia e os manifestantes desde a morte do jovem negro de 18 anos pela polícia (Foto: Reuters)

O jovem negro morto pela polícia em Ferguson, no Missouri, no dia 9 de agosto, levou pelo menos seis tiros, sendo que dois deles atingiram sua cabeça. Esta é a conclusão dos resultados preliminares de uma das autópsias, divulgada nesta segunda-feira (18). A morte de Michael Brown provocou uma série de tumultos na cidade que chegaram a seu ápice na noite deste domingo.

Publicidade

Segundo a autópsia, a bala atingiu o crânio do jovem no alto, o que leva a crer que ele estaria inclinado quando foi baleado. A autópsia foi realizada pelo ex-legista de Nova York, Michael Baden, a pedido da família do jovem de 18 anos. Os resultados foram publicados no jornal The New York Times desta segunda-feira.

"É importante tornar público o fato de que houve pelo menos seis tiros e que o policial neutralizou o jovem com uma bala no crânio. É o que indica claramente essa autópsia", disse Daryl Parks, um dos advogados da família, ao canal CNN.

Segundo o legista de 80 anos, considerado como uma referência no meio, todos os tiros foram dados de frente. Quatro balas ficaram alojadas no braço direito e duas na cabeça do adolescente. Michael Brown não estava armado quando foi assassinado no meio da rua por um policial branco.

Três autópsias diferentes foram realizadas no corpo de Michael Brown: uma delas foi feita pelas autoridades locais, a outra pela família e a terceira, no domingo, foi encomendada pelo ministro da Justiça, Eric Holder. Ainda há dúvidas se o jovem estava com as mãos para cima quando foi baleado ou tentou pegar a arma do policial.

A morte de Brown reacendeu as tensões raciais no sul nos Estados Unidos e gerou uma revolta popular, a ponto das autoridades terem determinado um toque de recolher no sábado. A maioria da população de Ferguson é negra, mas as autoridades e os dirigentes são brancos.

Os confrontos entre a polícia e os manifestantes são diários. A madrugada deste domingo foi particularmente violenta e os policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os manifestantes, que usaram coquetéis molotov. Sete pessoas foram detidas. Nesta segunda-feira, o governador pediu a intervenção da Guarda Nacional.

Petição pede que policiais utilizem mini-câmera no corpo

O caso Brown levou à criação de uma petição para equipar todos os policiais de Ferguson com uma mini-câmera, que seria acoplada ao corpo. Nesta segunda-feira de manhã, o texto, batizado de lei Mike Brown, já havia obtido mais de 11.200 assinaturas. A Casa Branca é obrigada a votar qualquer petição com mais de 10.000 adeptos.

A utilização dessas câmeras em outras cidades diminuiu consideravelmente o número de queixas contra os policiais. Em Rialto, na Califórnia, os casos de abusos caíram em mais de 60%, e as queixas contra policiais, mais de 88%.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Faça o download da aplicação

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.