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México/Estudantes desaparecidos

México prende ex-prefeito acusado de ordenar massacre de estudantes

Manifestantes em Guadalajara seguram cartaze com fotografias de estudantes desaparecidos em Iguala
Manifestantes em Guadalajara seguram cartaze com fotografias de estudantes desaparecidos em Iguala REUTERS/Alejandro Acosta

A polícia federal do México prendeu nesta terça-feira o ex-prefeito da cidade de Iguala (estado de Guerrero, sul), José Luis Abarca, e sua mulher, Maria de los Angeles Pineda, suspeitos de ter instigado os ataques que causaram seis mortes e o desaparecimento de 43 estudantes no dia 26 de setembro. Até agora, não se sabe o paradeiro dessas pessoas.

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De acordo com um porta-voz da Comissão Nacional de Segurança, o casal foi preso em um bairro popular, na zona leste da Cidade do México, sem necessidade do uso de força. Os dois, que eram os fugitivos mais procurados do país desde 22 de outubro, foram colocados à disposição do Ministério Público Federal, nas instalações das autoridades judiciárias encarregadas do crime organizado.

Abarca teria ordenado que policiais municipais e membros do grupo criminoso Guerreros Unidos abrissem fogo contra os ônibus nos quais alunos e professores da escola de Ayotzinapa haviam entrado. Os estudantes afirmam que entraram nos ônibus para arrecadar fundos, mas o então prefeito temia que eles tivessem viajado a Iguala, a 200 km da capital, para impedir a realização de um evento público organizado por sua mulher, responsável pela organização local de proteção da infância.

Seis pessoas morreram no local e 25 ficaram feridas. Mais de 50 suspeitos de participar do ataque foram presos, entre eles, 22 policiais de Iguala e 14 da cidade vizinha de Cocula. De acordo com alguns destes presos - inclusive do suposto líder dos Guerreros Unidos, Sidronio Casarrubias - os 43 desaparecidos foram assassinados e enterrados.

Uma ampla operação de busca no Estado de Guerrero descobriu 12 fossas clandestinas com ao menos 38 corpos, mas ainda não se sabe se trata-se dos estudantes desaparecidos.

Velhos conhecidos

Eleito em 2012 pelo Partido da Revolução Democrática (PRD), José Luis Abarca foi investigado diversas vezes por suspeita de ligação com o crime organizado. Em 2013, uma queixa foi apresentada contra ele por envolvimento na morte de Arturo Hernandez Cardona, um líder camponês, membro de seu próprio partido.

Maria de los Angeles Pineda é irmã de três conhecidos narcotraficantes e, de acordo com as autoridades judiciárias, é a principal articuladora dos Guerreros Unidos na prefeitura de Iguala. Ela pretendia se candidatar à sucessão de seu marido nas eleições de 2015.

Além de Abarca, o governador do estado, Angel Aguirre (PRD), teve de pedir demissão. Seu cargo foi ocupado por Rogelio Ortega, que afirmou que as prisões desta terça-feira "significam uma possibilidade de encontrar pistas substanciais" para encontrar os 43 jovens "com vida".

Indignação

O caso gerou uma onda de indignação no México, pois expôs uma ligação direta entre autoridades municipais, a polícia e o crime organizado. Na semana passada, depois que as famílias das vítimas lançaram uma série de acusações de negligência contra o poder público, o presidente Enrique Peña Nieto as recebeu durante mais de cinco horas.

Diversas manifestações aconteceram por todo o país, algumas para exigir que os estudantes sejam encontrados, outras para externar a indignação pura e simples. Foi o caso dos protestos que levaram aos incêndios da sede do governo de Guerrero e da prefeitura de Iguala. O estado é um dos mais pobres do México e tem as mais altas taxas de homicídio do país.
 

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