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México/Crime

Familiares de estudantes desaparecidos iniciam carreata pelo México

Novos protestos no México pelo desaparecimento dos 43 estudantes. Painéis representando os desaparecidos foram montados no sítio arqueológico de Monte Alban, em Oaxaca. .
Novos protestos no México pelo desaparecimento dos 43 estudantes. Painéis representando os desaparecidos foram montados no sítio arqueológico de Monte Alban, em Oaxaca. . REUTERS/Jorge Luis Plata

Familiares dos 43 estudantes mexicanos desaparecidos desde setembro iniciam nesta quinta-feira (13) uma careata que irá percorrer todo o país para pressionar o governo, apesar do anúncio de um provável massacre do grupo.

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"O objetivo é mostrar às pessoas que nós continuaremos a exigir que o governo encontre os estudantes porque, para nós, eles estão vivos e é preciso continuar as buscas", afirmou Epifanio Alvarez, pai de um dos estudantes desaparecidos, em entrevista à agência AFP.

Três fileiras de carros partirão nesta quinta-feira da escola de Ayotzinapa, onde estuvam os jovens desaparecidos, para percorrer um trajeto que irá passar por sete estados mexicanos antes de chegar à Cidade do México, no dia 20 de novembro.

A intenção é conquistar o apoio da população para pressionar as autoridades a encontrá-los, informou um dos membros do comitê de estudantes da escola, localizada a 290 km ao sul da capital do país.

Trata-se de uma nova manifestação dos familiares das vítimas que criticam duramente as buscas feitas pelas autoridades após o "sumiço" dos alunos no dia 26 de setembro em Iguala, no estado de Guerrero, um dos mais pobres do México.

Os protestos contra o governo têm sido cada vez mais violentos. Na quarta-feira passada, professores extremistas incendiaram o parlamento de Guerrero e outros prédios da administração local. No dia anterior, a sede do partido governamental foi alvo de um incêndio em Chilpancingo, capital do estado, e o número 2 da polícia ficou várias horas sequestrado. Na segunda-feira, manifestantes bloquearam durante várias horas o acesso ao aeroporto internacional de Acapulco, provocando o cancelamento de três voos.

Insurreição civil

"A chama da insurreição civil está acesa", anunciou o porta-voz do grupo de manifestantes, Felipe de la Cruz. O desaparecimento de 43 estudantes, depois de um ataque conjunto de policiais municipais e narcotraficantes que deixaram seis mortos, provocou a maior crise desde a chegada ao poder do presidente mexicano Enrique Peña Nieto, em dezembro de 2012.

Apesar da grande comoção no país, o presidente manteve sua viagem à China e à Austrália onde participa dos encontros da APEC e do Cúpula dos líderes do G20.

Os familiares dos estudantes rejeitam a explicação oficial do Ministério da Justiça. Segundo o ministro Jesus Murillo Karam, três membros do grupo Guerreros Unidos, detidos, admitiram ter queimado os corpos durante 14 horas antes de dispersar as cinzas em um rio.

O ministro considera que será muito difícil identificar os restos carbonizados que foram encontrados, explicando que teste de DNA só podem ser feitos em fragmentos de ossos.

Os familiares se baseiam em investigações encomendadas por eles a especialistas argentinos As primeiras conclusões, reveladas na terça-feira, indicam que 24 dos 39 corpos retirados de fossas clandestinas não eram dos estudantes desaparecidos em Iguala.

 

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