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Bolívia/Economia

"Não acreditamos no mercado", afirma ministro boliviano em Paris

O presidente da Bolívia, Evo Morales
O presidente da Bolívia, Evo Morales Reuters

"Não acreditamos no mercado" porque "o mercado não quer saber se os bolivianos comem ou não", afirmou nesta sexta-feira (5) em Paris o ministro da Economia da Bolívia, Luis Alberto Arce, durante intervenção em um fórum econômico sobre América Latina e o Caribe.

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Arce defendeu o "câmbio de modelo" praticado pelo país desde 2006, quando Evo Morales assumiu a presidência. "Fazemos políticas para resolver os problemas da população, não para ter bons dados" macroeconômicos, afirmou, diante de um auditório cheio de políticos, economistas e empresários.

Ironicamente, a Bolívia é um dos poucos países da América Latina que tem de fato bons dados macroeconômicos. O Produto Interno Bruto do país deve crescer cerca de 5,9% em 2015, de acordo com dados da Fazenda. São quase quatro pontos acima da média continental estimada pela Organização Para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE).

Solidariedade e protecionismo

De acordo com o ministro, a base do crescimento econômico boliviano é o "estímulo à demanda interna", que gera "incremento da produção". Outra medida econômica fundamental para o país é a recuperação pelo Estado dos recursos naturais. Arce explicou que, depois de nacionalizar suas riquezas, por um lado, e diversificar sua exploração por outro, La Paz ganhou autonomia para garantir as políticas sociais independentemente das flutuações de preços do mercado externo.

Luis Alberto Arce afirmou que a Bolívia tem direcionado esforços para garantir sua soberania alimentícia e projeta se consolidar como "um grande jogador no mercado mundial de alimentos". Isso, se os países desenvolvidos colaborarem: "Muito se fala em livre comérico, que se deve abrir as fronteiras... Mas, quando a América Latina quer exportar alimentos para Europa, elas se fecham. O livre mercado é da boca para fora. Dentro, impera o protecionismo".

Ele espera do mundo a mesma solidariedade que a Bolívia pratica internamente: "A palavra chave é 'redistribuição'", ou seja o repasse à população da verba captada pelo Estado. Arce participou do Fórum organizado pela OCDE em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o ministério francês da Economia, que sediou o evento.
 

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