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Angola

Líder do maior partido de oposição de Angola quer abandonar o cargo

Isaías Samakuva, durante o lançamento da sua campanha em Julho de 2017.
Isaías Samakuva, durante o lançamento da sua campanha em Julho de 2017. AMPE ROGERIO / AFP

No âmbito da abertura hoje da quarta reunião ordinária da Comissão Política do Comité Permanente da UNITA em Viana nos arredores de Luanda, o presidente do partido, Isaías Samakuva, anunciou que tenciona abandonar a chefia do maior partido de oposição e que, neste sentido, propõe a realização de um congresso extraordinário no intuito de se eleger uma nova liderança.

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No seu discurso de abertura da reunião da Comissão Política, Isaías Samakuva recordou que já tinha indicado (em 2015) que iria deixar a presidência daquele partido depois as eleições, independentemente dos resultados: "Afirmei aos angolanos antes e durante a campanha eleitoral que depois das eleições deixaria o cargo de Presidente da UNITA para servir o partido numa posição diferente. Mantenho e reafirmo esta decisão. Terminada a fase eleitoral e encontrando-nos no dealbar do novo ciclo político, acho ter chegado o momento para desencadearmos o processo conducente à materialização desta decisão. Esta reunião deverá, pois, proceder à definição da data em que a Comissão Política do Partido vai reunir para que, além de analisar o relatório da Direcção da Campanha Eleitoral, possa também, nos termos dos Estatutos, ser ouvida quanto à realização de um Congresso Extraordinário para a eleição do novo Presidente do Partido", declarou. Oiçamo-lo.

Ontem, ao fim de 38 anos no poder, o Presidente José Eduardo dos Santos passou o testemunho ao novo chede de Estado, João Lourenço, eleito no passado dia 23 de Agosto com um pouco mais de 61% dos votos, de acordo com os resultados divulgados pela CNE. Embora não reconheça estes resultados que dão à UNITA o segundo lugar com um pouco mais de 26% dos votos e um número de deputados eleitos quase a duplicar, para 51, Isaías Samakuva declarou "O nosso partido está e vai estar à altura desta confiança, vamos por isso assumir as nossas responsabilidades e continuar a servir o povo, ao lado do povo e ao serviço do povo". Neste sentido, o líder da UNITA confirmou que os deputados da sua formação vão ocupar os seus cargos no intuito de "combater a corrupção" e favorecer a "despartidarização do Estado".

Referindo-se ao novo ciclo político que se inicia, Samakuva não se mostrou contudo optimista: "A eleição terminou mas o regime não mudou. Os problemas continuam e vão continuar, as violações dos Direitos Humanos continuam e vão continuar, a corrupção continua e vai continuar, a intolerância continua e vai continuar, a exclusão continua e vai continuar. O país continua e vai continuar com uma profunda crise de valores, um Estado predador, uma Constituição atípica, uma economia prostituída, uma dívida pública insustentável e um sistema financeiro opaco, sem credibilidade. "

Isaías Henriques Ngola Samakuva, que aos 71 anos de idade pretende agora dedicar-se a outras funções, tem sido Presidente da UNITA desde 2003, pouco depois da morte em combate do líder e fundador do partido, Jonas Savimbi, episódio após o qual se concluíram os Acordos de Luena, no dia 4 de Abril de 2002 que puseram fim à guerra civil que dilacerava o país desde a sua independência em 1975.

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