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Zimbabué

Demissão do Presidente do Zimbabué Robert Mugabe

Explosão de alegria no parlamento do Zimbabué logo após o anúncio neste 21 de Novembro da demissão de Roberto Mugabe.
Explosão de alegria no parlamento do Zimbabué logo após o anúncio neste 21 de Novembro da demissão de Roberto Mugabe. Jekesai NJIKIZANA / AFP

O Presidente zimbabueano Robert Mugabe, 93 anos, demitiu-se hoje das suas funções, ao fim de cerca de uma semana de pressões neste sentido, virando-se deste modo uma página de 37 anos da História daquele país que não tinha conhecido outro Presidente desde a sua independência em 1980.

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Hoje durante a sessão parlamentar em que se devia encetar o processo em destituição do Presidente Mugabe que até esta Terça-feira não dava sinais de aceitar demitir-se da sua própria iniciativa, o Presidente do Parlamento, Jacob Mudenda anunciou a demissão do Chefe de Estado com "efeito imediato". O parlamentar leu a carta de demissão em que o Presidente afirma ter "escolhido voluntariamente demitir-se, esta decisão sendo motivada pelo desejo de assegurar uma transição de poder sem problemas, pacífica e sem violência".

Este anúncio foi imediatamente saudado por ruidosas manifestações de alegria dentro e fora do Parlamento, com as ruas de Harare a encherem-se de habitantes a celebrarem esta decisão, uma decisão cujo anúncio interveio no preciso momento em que os parlamentares zimbabueanos se preparavam a debater em congresso extraordinário uma moção de destituição contra Robert Mugabe.

Uma semana depois do exército ter tomado o controlo do país na noite do 14 para o 15 de Novembro, a pressão foi aumentando gradualmente sobre o Presidente. Os militares garantiram que não pretendiam conservar o poder, apenas eliminar "os criminosos em volta de Robert Mugabe". No fim-de-semana contudo, o ZANU-PF, o movimento de Robert Mugabe, destituiu-o das suas funções na chefia do partido, e embora a União Africana e outras entidades a nível internacional exigissem a reposição do respeito pela Constituição, aumentaram também os apelos para uma transição pacífica.

Entre as primeiras reacções que foram surgindo a nível internacional, a chefe do governo da Grã Bretanha, antiga potência colonial, Theresa May saudou esta decisão, considerando que "esta demissão oferece ao país uma oportunidade para enveredar para uma nova via livre da opressão que caracterizou o seu poder". No mesmo sentido, o chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, considerou que "a prioridade imediata é permitir que o Zimbabué se dote de um governo legítimo resultante de eleições livres e equitativas, conforme estipula a Constituição".

Ao considerar, por seu turno, que o Presidente Robert Mugabe já não tinha condições para continuar no poder, o analista e antigo professor de Direito na Universidade de Pretoria, André Thomas Hausen, refere que os dirigentes africanos vão aceitar esta mudança e mostra-se confiante quanto ao futuro.

Durante o braço de ferro que durou uma semana entre Robert Mugabe, o exército mas igualmente o antigo vice-presidente cuja exoneração no começo do mês tinha adensado a crise já vigente há largos anos país, a União Africana e a SADC não deixaram de manifestar a sua preocupação. Na semana passada, logo após o golpe de força do exército, o chefe de Estado da Guiné-Conacri Alpha Condé, presidente em exercício da União Africana, tinha avisado que a organização pan-africana "não iria aceitar golpes militares". A SADC, Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, também expressou receios e apelou ao respeito pela Constituição. Hoje numa reunião extraordinária desta organização em Luanda, foi decidida a deslocação já amanhã a Harare dos Presidentes de Angola e da África do Sul, em nome da organização regional, com vista a tentar encontrar uma saída de crise. Mais pormenores com Avelino Miguel.

Com a demissão de Robert Mugabe abre-se um novo período para o Zimbabué. Herói da independência do seu país, Mugabe passou progressivamente a ser considerado como o autocrata de um país economicamente à deriva com designadamente uma taxa de desemprego que em 2017 se tem elevado a perto de 90% da população activa. Até há poucos dias ainda, antes da intervenção militar, Grace Mugabe, 52 anos, esposa de Robert Mugabe, aparecia como sua mais provável sucessora. Doravante fica por definir outro futuro para o país.

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