Acesso ao principal conteúdo
ANGOLA/CHINA

Angola e China negoceiam empréstimos

Presidentes angolano e chinês juntos em Pequim a 9 de Outubro de 2018.
Presidentes angolano e chinês juntos em Pequim a 9 de Outubro de 2018. AFP

O presidente angolano, João Lourenço, avistou-se nesta terça-feira em Pequim com o primeiro-ministro chinês, Li Kequiang. O chefe de Estado angolano que chegara já na segunda à China termina na quarta a sua deslocação a este parceiro estratégico de Luanda.

Publicidade

João Lourenço tentaria obter empréstimos chineses, avaliados em 11 700 milhões de dólares para projectos em Angola.

Já no mês passado o estadista angolano esteve na China no âmbito da terceira cimeira do Fórum de cooperação China África, FOCAC.

Ele é, por isso, o primeiro estadista africano a voltar à China após esse fórum.

As negociações entre Luanda e Pequim sobre o dossier dos financiamentos decorrem há meses pelo que Lourenço poderia pretender pesar no desfecho das mesmas.

 "A República de Angola tem mantido há aproximadamente duas décadas uma relação  intensa na qual temos obtidos resultados que contribuem significativamente para a melhoria das infraestruturas fundamentais do país, para aumento do crescimento económico" , sublinhou neste encontro o estadista angolano.

"Estamos satisfeitos, obviamente, com a disponibilidade que a República da China tem manifestado em ajudar Angola , queremos que se mantenha esta relação pois será importante como paradigma para com os restantes países africanos  e a República Popular da China reactivem a Comissão Orientadora para a cooperação económica e comercial."

As conversações com as autoridades chinesas devem conduzir à assinatura de um conjunto de acordos, sendo um deles o instrumento que evita a dupla tributação nas transacções comerciais.

João Lourenço faz-se acompanhar por uma delegação de alto nível, composta por dois ministros de Estado, pelo chefe da Casa Civil e por ministros de vários pelouros como das Relações Exteriores, Finanças, Construção e Obras Públicas, Transportes e Energia e Águas.

Integram a comitiva governamental funcionários do gabinete do Presidente da República. Ao longo da última década, a China conquistou uma posição proeminente na economia de Angola.

A cooperação oficial da China com Angola, e com África em geral, é dominada por empréstimos financeiros disponibilizados pelos seus principais bancos para a construção ou reabilitação de infra-estruturas.

O Governo chinês estendeu oficialmente linhas de crédito a Angola através de vários dos seus bancos estatais de investimento. A primeira linha de crédito oficial chinesa para Angola data de 2002.

A hipótese de novos empréstimos chineses a Angola é criticada por Agostinho Sikatu, politólogo, director do Centro de debates e estudos académicos.

"Acho desnecessário que o país entre de novo em dívida com a China", afirmou o académico para o qual a aposta no momento seria concluir o processo, em curso, de repatriamento dos capitais no estrangeiro antes de qualquer novo endividamento.

E isto num cenário que, a seu ver, deveria ter ainda a anuência prévia do parlamento, remata o politólogo.

Mais de 250 mil chineses trabalham em Angola, em sectores como infraestruturas.

A China é o maior parceiro comercial de Angola. Já para a China Angola é o segundo em África, a seguir à África do Sul.

A compra de petróleo angolano pela China explica esta classificação.

Em 2017 a China comprou 22,34 mil milhões de dólares a Angola, por seu lado Angola comprou à China o equivalente a 2,2 mil milhões de dólares.

Angola, a seguir ao Brasil, é o segundo país de língua portuguesa que mais compra à China.

Após já se ter avistado com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro Li Kequiang, João Lourenço desloca-se nesta quarta-feira à Huwaei, multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.