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Angola

Arranque da "Operação Resgate" em Angola

Zungueiras em Luanda neste 6 de Novembro de 2018.
Zungueiras em Luanda neste 6 de Novembro de 2018. RFI / Daniel Frederico

Cerca de duas semanas depois de ter sido anunciada a iminência do seu arranque, foi lançada hoje em todo o país a "Operação Resgate", uma operação que o executivo angolano apresenta como sendo uma iniciativa visando a restabelecer a ordem e combater as incivilidades. Apresentada como tendo uma vertente "repressiva" e ao mesmo tempo "pedagógica", esta operação não tem deixado de suscitar críticas por parte de organizações da sociedade civil e de defesa dos Direitos Humanos que temem situações de abusos.

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Apesar dessas reservas e findo o período de sensibilização decorrido na semana passada, a operação arrancou nesta terça-feira com, na sua linha de mira, o comércio informal, a urbanização selvagem e ocupação ilegal de terrenos, a imigração ilegal ou ainda a criminalidade. Ao garantir esta manhã numa comunicação à imprensa que "o país não iria entrar em estado de sítio" e que "não se trata de uma guerra contra os pobres", o comandante-geral da polícia nacional, Paulo de Almeida, informou que esta operação "com carácter permanente" tem por intuito "resgastar os bons costumes, a ética, a disciplina".

Este não é contudo o ponto de vista de muitos, anónimos ou não, que lançam farpas nas redes sociais. José Patrocínio, coordenador da organização de defesa dos Direitos Humanos OMUNGA, nomeadamente aponta o dedo sobre a situação das zungueiras, as vendedoras ambulantes que, devido a este dispositivo, poderão ficar impossibilitadas de exercer a sua actividade."Se as zungueiras estão desorganizadas, é porque o Estado está desorganizado", escreveu nas redes sociais. Questionadas pelo correspondente da RFI, Daniel Frederico, zungueiras de Luanda também expressaram o seu descontentamento.

De referir que esta operação foi lançada um pouco mais de um mês depois de outra iniciativa, "Operação Transparência", ter sido lançada em algumas províncias do país, no intuito de expulsar garimpeiros e imigrantes ilegais. Ao longo do processo, tem havido vários relatos de maus-tratos contra cidadãos estrangeiros, acusações ainda hoje desmentidas pela polícia angolana. De acordo com o Serviço de Migração e Estrangeiros, foram expulsos de Angola na semana passada, 583 cidadãos estrangeiros por "decisão judicial e administrativa".

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