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Angola

Operação Transparência continua em Angola

Congoleses a atravessarem o posto de Dundo, na Lunda Norte. 20 de Outubro de 2018.
Congoleses a atravessarem o posto de Dundo, na Lunda Norte. 20 de Outubro de 2018. João de Fátima/AFP

As autoridades angolanas que acabam de lançar esta semana a "Operação Resgate" no intuito de combater o comércio ilícito, as incivilidades e transgressões administrativas, continuam em paralelo a "Operação Transparência", uma iniciativa cujo objectivo é combater a imigração ilegal, a exploração e o tráfico de diamantes no país.

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Esta operação lançada em finais do mês de Setembro em algumas províncias de Angola, já levou à saída do país de mais de 400 mil cidadãos estrangeiros, na sua maioria oriundos da República Democrática do Congo. De acordo com os relatos feitos por várias ONGs, esta operação está a ser marcada por violências policiais e até mortes, acusações que são desmentidas pelas autoridades angolanas.

O Alto Comissariado da ONU para os refugiados que tem tentado seguir esta situação, referiu ter recebido denúncias de casos de violência contra cidadãos estrangeiros mas não chegou a confirmar a ocorrência efectiva dessas situações nem das alegadas mortes. No passado dia 29 de Outubro, o alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos não deixou contudo de lançar um apelo ao governo angolano para suspender as expulsões dos congoleses do país, por considerar que as autoridades colocaram em risco dezenas de milhares de famílias da RDC ao expulsá-las num tão curto espaço de tempo.

Entre os relatos de agressões contra migrantes, figuram alguns de cidadãos guineenses. Na semana passada, a RFI ouviu o chefe de redacção da Rádio Sol Mansi na Guine Bissau, Amadi Djuf Djaló, que afirmou ter recebido denúncias de maus tratos, perseguições, detenções arbitrárias e espancamentos de cidadãos guineenses em Angola. Reagindo a esta situação, o executivo guineense indicou há dias que iria enviar a Luanda uma delegação de alto nível para averiguar esta situação.

Ao rejeitar estas acusações, António Bernardo, porta-voz da "Operação Transparência", refere que "se esses cidadãos guineenses foram alvo de alguma sevícia, até agora não há queixa de nenhum guineense". De acordo com este responsável, os estrangeiros estão a sair do país voluntariamente, "não se está a empurrar ninguém para a fronteira" e esta iniciativa "vai durar até que as autoridades achem que já se voltou à normalidade institucional". Ao falar de "invasão silenciosa que põe em perigo a soberania" de Angola, António Bernardo reitera também os seus desmentidos sobre eventuais agressões contra congoleses.

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