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França

Lídia Jorge teme “Lobo de Troia” no Parlamento Europeu

Lídia Jorge, em Paris, a 29 de Janeiro de 2019.
Lídia Jorge, em Paris, a 29 de Janeiro de 2019. Carina Branco/RFI

A quatro meses das eleições europeias, a escritora portuguesa Lídia Jorge teme que se esteja "à beira de enviar para o Parlamento Europeu um lobo de Troia". A autora de “Estuário” alerta para o perigo da subida dos nacionalismos.

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Lídia Jorge participou, esta terça-feira, numa conferência sobre “Cultura, Identidade e Democracia” na delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, ao lado da politóloga Catherine Wihtol de Wenden.

Nós estamos à beira de enviar para o Parlamento Europeu aquilo que eu chamo um Lobo de Troia. A Europa possivelmente vai colocar dentro do Parlamento Europeu aqueles que querem que a Europa se destrua e saber o que fazer neste momento é muito difícil. Quem tem uma ideia que a diga. Que ninguém se cale sob o perigo de nos arrependermos todos dentro de muito pouco tempo”, disse a escritora à RFI, no âmbito de uma grande entrevista que pode ouvir no magazine Convidado.

Lídia Jorge vive a “duas velocidades”: uma é lenta e corresponde à escrita, à leitura, “às fantasias e imaginários que a arte cria” e a outra é mais imediata e passa por “acudir à aquilo que está a acontecer agora”, pelo que não teme apoiar causas em que acredite. Uma delas é alertar contra a actual subida dos nacionalismos na Europa e não só.

O que está a acontecer neste momento, por várias razões, são de novo os nacionalismos que agem aqui, mas agem por toda a parte (...) Uma questão de injustiça social – 20% estão enriquecendo, 80% estão empobrecendo – leva a que haja vastíssimas populações que não querem mais saber de análise das situações, que querem um ‘condotiero’ que os leve para uma política brutalista, onde já não existe democracia”, acrescentou.

A autora de "A Costa dos Murmúrios" sublinha que “a identidade europeia é dúplice” e “sempre funcionou com dois braços: um braço luminoso, com a bandeira da universalidade e do humanismo, e o lado obscuro do lucro, do ganho, da rapina”.

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