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Luanda Leaks

Irmã de Isabel dos Santos diz-lhe para devolver 75 milhões

Isabel dos Santos. 5 de Fevereiro de 2018. Maia, Portugal.
Isabel dos Santos. 5 de Fevereiro de 2018. Maia, Portugal. MIGUEL RIOPA / AFP

Tchizé dos Santos pediu à irmã Isabel dos Santos para devolver 75 milhões a Angola "para resolver o problema”. A antiga deputada do MPLA considerou que Isabel dos Santos deveria retribuir as oportunidades de negócio de que beneficiou em Angola e saldar a dívida para com a Sonangol.

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"Como cidadã, esquecendo que sou irmã da engenheira Isabel eu, sabendo que tem activos em Angola e fora, eu se estivesse no lugar da cidadã Isabel dos Santos, mesmo que o dinheiro fosse todo lícito, o Estado angolano está a deixar muito claro que precisa urgentemente que a engenheira Isabel transfira algumas divisas para Angola", afirmou a antiga deputada numa declaração partilhada numa rede social.

Tchizé dos Santos acrescentou que se “o que está em causa é a dívida de 75 milhões”, então “está na hora de a cidadã retribuir tudo o que o Estado lhe proporcionou, propiciando que fizesse grandes negócios e tornar-se a mulher que é hoje”. “Pronto, mande dinheiro para Angola”, continua.

"O que está em causa é a dívida de 75 milhões? Pague, então, se estão pedir euros e não querem kwanzas, apesar de um Estado, normalmente, querer receber na sua moeda, mas se precisa de dólares e está a pedir à cidadã, a cidadã que mais beneficiou das oportunidades de negócio em Angola, está na hora de a cidadã retribuir tudo o que o Estado lhe proporcionou, propiciando que fizesse grandes negócios e tornar-se a mulher que é hoje... pronto, mande dinheiro para Angola."

Tchizé dos Santos argumentou, ainda, que "quanto mais não fosse em consideração aos trabalhadores, devia tentar negociar um valor a transferir para Angola para fazer novos investimentos, ainda que o dinheiro seja todo ele lícito, ainda que a única coisa em causa seja os 75 milhões que foram pagos em kwanzas à Sonangol, e que a Sonangol devolveu, e que agora tem de se voltar a pagar".

"Mais vale dar os 75 milhões de dólares ou euros como o Estado quer e para além disso, em demonstração de boa-fé, faça um investimento, transfira para o país euros, dólares, para fazer investimento, construa uma Universidade Isabel dos Santos" ou um hospital privado de grande dimensão.

 

Isabel dos Santos rejeitou acusações da justiça angolana

Esta quinta-feira, Isabel dos Santos rejeitou as acusações formuladas contra ela pela justiça angolana, um dia depois da abertura de um processo-crime contra ela por fraude, desvio de fundos e branqueamento de capitais.

Em comunicado divulgado ontem, a filha do anterior presidente denunciou “um ataque político” e disse que está disposta a lutar mediante a justiça internacional para se defender.

Na quarta-feira, Isabel dos Santos foi constituída arguida pela Procuradoria-Geral da República de Angola que admitiu pedir um mandado de captura internacional, caso não fosse possível notificá-la.

Esta semana, as revelações do Luanda Leaks, divulgadas por um consórcio de jornalistas dos quais a RFI faz parte, provocaram várias demissões.

Esta quinta-feira, os três administradores não executivos da empresa portuguesa NOS, ligados a Isabel dos Santos, entre os quais o presidente do Conselho de Administração, apresentaram renúncia aos cargos.

Também Mário Leite da Silva, gestor português considerado o braço direito de Isabel dos Santos, renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento Angola. Mário Leite da Silva também foi constituído arguido pela PGR angolana.

Esta sexta-feira, a Efacec Power Solutions anunciou, ainda, que Isabel dos Santos decidiu "sair da estrutura accionista" da empresa, "com efeitos definitivos", tendo os seus representantes renunciado aos cargos no grupo. Em comunicado, o Conselho de Administração da Efacec Power informou que "Mário Leite da Silva renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração", bem como o advogado Jorge Brito Pereira, que "renunciou ao cargo de presidente da assembleia-geral da Efacec Power Solutions, ambos com efeito imediato".

Também hoje, o jornal português Público adianta que o principal advogado de Isabel dos Santos, Jorge Brito Pereira, decidiu abandonar a sociedade Uría Menéndez-Proença de Carvalho, onde é sócio desde 2016, cessar a representação da filha do ex-Presidente de Angola, renunciar a todos os cargos que ocupava em órgãos sociais relacionados com as sociedades de Isabel dos Santos e suspender a actividade como advogado nos próximos meses.

Na quarta-feira, o EuroBic anunciou que Isabel dos Santos vai abandonar a estrutura accionista para “salvaguardar a confiança na instituição”. Através de empresas a si ligadas, Isabel dos Santos era até agora accionista de 42,5% do EuroBic, detendo a maior fatia entre os detentores de participações sociais do banco fundado em 2008.

Na quarta-feira à noite, o director da private banking do EuroBic, gestor da conta da Sonangol e arguido no caso Luanda Leaks, Nuno Ribeiro da Cunha, foi encontrado morto, em Lisboa. Na quinta-feira, a polícia judiciária indicou que os elementos recolhidos "apontam para que não haja intervenção de terceiros". Na véspera, a Policia de Segurança Pública dizia que “tudo aponta para suicídio”.

 

As reacções de Portugal e Cabo Verde

O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou que compete a Portugal "colaborar totalmente" com as investigações das autoridades angolanas e fez uma separação entre a situação da accionista Isabel dos Santos e a actividade das empresas por ela participadas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, disse que o país está disponível para dar todas as informações às autoridades angolanas.

"Vamos continuar a acompanhar esta situação com toda a tranquilidade. Cabo Verde é um Estado de direito democrático, funciona no respeito pelas leis, estaremos disponíveis para dar toda as informações às autoridades angolanas que estão a fazer investigação", disse o ministro, em conferência de imprensa na cidade da Praia.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, declarou que o caso das revelações de transacções suspeitas e esquemas alegadamente fraudulentos da empresária angolana não interpela o Governo, mas afirmou que vai acompanhando o assunto "de uma forma interessada".

Os ‘Luanda Leaks' detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

 

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