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Angola/ Portugal

Ministério Público português congela contas de Isabel dos Santos

Empresária Isabel dos Santos
Empresária Isabel dos Santos lusa

O Ministério Público português confirmou hoje ter requerido o arresto de contas bancárias da empresária angolana Isabel dos Santos, na sequência de um pedido de cooperação por parte da justiça angolana que em finais de Dezembro de 2019 também ordenou o congelamento das contas de que a filha do antigo Presidente angolano é titular no seu país. 

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Isabel dos Santos que foi formalmente acusada de corrupção pela justiça angolana em finais de Janeiro, é suspeita de gestão danosa e evasão fiscal em operações que passaram nomeadamente por Angola, Portugal bem como o Dubai e que foram detalhadas em inquéritos feitos há largos anos, o último deles -o "Luanda Leaks"- tendo sido divulgado no mundo inteiro no mês passado.

Em causa está designadamente a transferência entre Maio e Novembro de 2017 de 115 milhões de dólares de fundos da conta da petrolífera pública angolana Sonangol, então controlada por Isabel dos Santos, para a conta de uma empresa off-shore no Dubai. De acordo com a justiça angolana, a última transferência de dinheiro da Sonangol para o Dubai ocorreu duas horas antes de a empresária ser afastada da direcção da petrolífera. A operação terá sido efectuada a partir do Eurobic em Portugal, instituição de que Isabel dos Santos era accionista e que é tida como uma peça mestra da sua teia de negócios.

Lesiva para o Estado angolano terá sido igualmente a parceria público-privada estabelecida enquanto José Eduardo dos Santos esteve no poder em Angola, entre as entidades controladas por Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo, e a petrolífera angolana Sonangol que em 2005 participou na aquisição de participações na portuguesa Galp, ou ainda quando mais tarde adquiriram em 2012 juntamente com a empresa pública de diamantes Sodiam a empresa joalheira suíça de luxo "de Grisogno" que, entretanto, não resistiu às revelações do "Luanda Leaks" e abriu falência no passado 29 de Janeiro.

Neste contexto, para o economista angolano, Carlos Rosado, o anúncio do congelamento das contas de Isabel dos Santos em Portugal, não é surpreendente e é apenas mais uma etapa numa "guerra judicial que pode durar vários anos".

Considerada em 2013 pela revista Forbes como sendo a mulher mais rica de África, Isabel dos Santos, com uma fortuna avaliada em mais de 2 mil milhões de Dólares, construiu ao longo dos últimos anos um império que abrange vários sectores, a construção civil, a banca, a grande distribuição, o petróleo, os diamantes ou ainda as telecomunicações, para citar apenas alguns.

Desde a publicação das revelações dos "Luanda Leaks" que são o resultado da análise de mais de 700 mil documentos referentes aos seus negócios, entidades nas quais Isabel dos Santos tinha participações têm vindo a desvincular-se da empresária, a própria tendo vindo também a separar-se de acções. Isabel dos Santos viu igualmente a auditora PricewaterhouseCoopers distanciar-se dela, depois de ter outrora validado as suas actividades.

A interessada desmente as acusações de que tem sido alvo, alegando ser vítima de uma caça às bruxas e promete responder por via judicial.

 

 

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