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Brasil/ Eleições

Para cientista político, Lula vira mito na imprensa francesa. Assista ao vídeo

Frederic Louault
Frederic Louault RFI

Mais popular na França do que o próprio presidente Nicolas Sarkozy. Com tantas reportagens positivas na imprensa francesa, Lula consegue um feito: conquistar a simpatia de franceses de esquerda e de direita. O cientista político Frédéric Louault, do Observatório Político da América Latina e do Caribe da Sciences PO - Paris (OPALC), explica o fenômeno.

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“As eleições brasileiras estão inundando a mídia francesa: reportagens de televisão, dossiês na imprensa escrita, emissões de rádio, etc. No final da era Lula, o Brasil se tornou um centro de interesse especial para a mídia francesa. Poucos países se beneficiam na França de tal tratamento em período eleitoral. Sobretudo, é a primeira vez que a política brasileira toca desse jeito a opinião pública francesa.

Como explicar esse novo interesse? Além dos fatores de longo prazo (relações culturais e intercâmbios intelectuais entre ambos países) e de médio prazo (efeitos do Ano do Brasil na França em 2005, intensificação das relações comerciais, etc.), isso tem claramente a ver com a personalidade e a trajetória do presidente Lula, que foi escolhido “Homem do ano” em 2009 pelo jornal Le Monde.

Em maio de 2010, a revista semanal Le Point apresentava, num dossiê especial, o Brasil como “Um novo Eldorado”. Em setembro de 2010, Le Monde consagrou mais um suplemento especial (de 98 páginas), com um título significativo: “Um gigante se impõe”.

Frente à crise econômica, social e política da França e à baixa popularidade do presidente Sarkozy, o tratamento das eleições brasileiras vem como um sopro de oxigênio. No dia 15 de setembro, a manchete da revista semanal cultural Les Inrockuptibles apresentava Lula no meio da bandeira brasileira com o seguinte título: “Brasil: o país onde a esquerda deu certo”. Contraste radical com a França, país onde a direita está titubeando?

A consagração do Lula é unânime aqui na França. Ele parece ser até mais popular aqui na França do que no Brasil. A imprensa francesa está encantada, fascinada pelo carisma do Lula, um personagem que ela não consegue definir realmente. Diante do caráter “pluri-ideológico” do Lula, que se autodefine como uma “metamorfose ambulante”, a imprensa francesa perdeu toda a capacidade crítica.

Ao valorizar cegamente o Lula, a imprensa na França participa de um processo de construção mitológica. Está transformando o realismo político do Lula num realismo mágico, escondendo assim alguns aspectos mais obscuros do balanço dos dois mandatos do governo Lula, principalmente no plano político”.

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