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Brasil/ Eleições

Sucesso de Marina se deve em parte ao voto evangélico. Assista ao vídeo

Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina da Sciences Po
Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina da Sciences Po RFI

Para o cientista político Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina, da Universidade Sciences Po, o número de votos bem maior do que o previsto para a candidata do Partido Verde, Marina Silva, no primeiro turno das eleições brasileiras, se deve principalmente ao eleitorado evangélico. Vídeos apresentando Dilma Rousseff defendendo o aborto circularam na internet às vésperas da votação e incidiram nos resultados - segundo o especialista.

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“Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, que evidenciaram uma queda abaixo do patamar de 50% das intenções de voto para a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff - previstos pelos institutos de pesquisa - podem ser explicados pela migração de votos de Dilma Rousseff para a candidata do Partido Verde (PV), Marina Silva dentro do eleitorado evangélico, muito sensível as questões sociais, como o aborto, que é ilegal no Brasil.

 

Com efeito, nos últimos dez dias, vários vídeos, que apresentam a candidata do presidente Lula defendendo o aborto – o que foi desmentido pela candidata - circularam na internet. O mais visto pelos internautas foi acessado mais de três milhões de vezes nos últimos dez dias no Youtube. Além disso, no Google, o crescimento do número de acessos às palavras chave “Dilma” e “aborto” foi extremadamente expressivo: mais de 1500%.

Nas igrejas, pastores evangélicos pediram para votar contra Dilma Rousseff, e contribuíram para construir essa percepção nesse eleitorado. O resultado desses dois fatores fez crescer a taxa de rejeição à candidata do PT. Segundo o instituto de pesquisas IBOPE, entre os dias 23 de agosto e 23 de setembro, a taxa de rejeição à Dilma Rousseff no eleitorado evangélico aumentou de 17% para 28%.

Marina Silva, que é evangélica, fez questão nesta campanha de mostrar-se próxima das igrejas evangélicas, como a Assembléia de Deus (igreja da candidata do PV) ou a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Portanto, ela recebeu os votos desses eleitores, céticos do posicionamento de Dilma Rousseff com relação ao aborto.

Essa tendência não foi captada pelos institutos de pesquisa. A rapidez dessa transferência de votos, em poucos dias, pode explicar em parte esse diferença entre os prognósticos e os resultados das eleições.“

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