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Brasil/França

América Latina é deixada de lado pela França

A falta de propostas do governo de François Hollande para a América Latina não impede a instalação de fábricas francesas no Brasil, como a Renault, em São José dos Pinhais.
A falta de propostas do governo de François Hollande para a América Latina não impede a instalação de fábricas francesas no Brasil, como a Renault, em São José dos Pinhais. http://carplace.virgula.uol.com.br

O artigo publicado nesta terça-feira pelo jornal francês Libération analisa a relativa indiferença da imprensa e do governo da França em relação à região.Escrito por dois grandes especialistas franceses em política latino-americana, o texto mostra que diversos países da área estão em destaque na atualidade internacional, por razões bem diferentes. O Brasil é citado como o "campeão dos emergentes". 

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O discurso da França em relação à América Latina é irrelevante. Esta é a conclusão dos cientistas políticos Olivier Dabène e Gaspard Estrada, que juntam as peças do atual mosaico regional: o Brasil desponta como o emergente mais bem sucedido e midiático, em meio aos recentes G20 e Rio+20 e os futuros eventos esportivos mundiais, a Copa 2014 de futebol e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Já o México cristaliza as contradições, entre a violência monstruosa ligada ao narcotráfico e a posição de grande emergente, organizador de um G20 pela primeira vez. O Paraguai sofre as consequências de um golpe de Estado fulgurante.

Falando das eleições presidenciais francesas, a América Latina foi um tema totalmente ausente durante a campanha e, depois de eleito, o presidente François Hollande não fez nenhuma menção ao continente. Curiosamente, relembram os analistas, a América Latina vive um momento de afirmação e crescimento, com a maioria dos seus governos nas mãos da esquerda. Nos últimos anos, a região rima com emancipação e apresenta um modelo de desenvolvimento que dá um grande espaço ao papel do Estado na economia. Os presidentes latino-americanos não hesitam em criticar publicamente a linha política da Alemanha, diz o artigo, citando Lula, que é descrito como ícone mundial da esquerda vitoriosa. Do ponto de vista do sucesso econômico, a parceria da China com  Chile, Peru e Brasil também garante a alta dos índices de crescimento locais

O Brasil tem um espaço privilegiado na matéria do Libération, por suas iniciativas diplomáticas, ambientais e financeiras.

Paradoxo

O artigo ressalta o paradoxo francês: a implantação de suas empresas aumenta na América Latina, impulsionada pelo crescimento e pela rentabilidade dos mercados.

No entanto, a França, apesar de expressar simpatia, não dispõe de nenhuma estratégia refletida para a região.  Um "esquecimento" surpreendente, devido à proximidade da ideologia dos dirigentes locais com o novo governo socialista de François Hollande. "Trata-se da única região do mundo onde tantos governos se posicionam à esquerda e veem com bons olhos a chegada de um novo partido na França, a pregar o crescimento em uma zona do euro mergulhada na crise", escrevem os analistas, lamentando que, do outro lado da linha, ninguém atenda à chamada: ao contrário de 1981, quando outro François, o Mitterrand, lançou iniciativas diplomáticas de peso na região, hoje a voz do país é inaudível. "Isto é mais lamentável ainda porque o mundo mudou", é a frase final do artigo escrito por Olivier Dabène e Gaspard Estrada, que denunciam uma indiferença no limite da incoerência.

 

 

 

 

 

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