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ONU/Assembleia

Dilma defende na ONU direito de emergentes protegerem suas economias

A presidente Dilma Rousseff discursou na abertura da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
A presidente Dilma Rousseff discursou na abertura da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas. REUTERS/Mike Segar

A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta terça-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o direito dos países emergentes de proteger suas economias num ambiente conturbado pelas políticas monetárias expansionistas dos países industrializados. Ela também pediu a resolução pacífica dos conflitos que sacodem o Oriente Médio e o norte da África.

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"Não podemos aceitar que medidas comerciais legítimas de defesa dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas de protecionismo", afirmou Dilma no discurso de abertura do encontro anual da ONU, em Nova York. Primeira chefe de Estado a falar na assembleia da ONU, Dilma assinalou que o uso desse tipo de medida faz parte das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Carolina Cimenti, correspondente da RFI em Nova York

A presidente brasileira atacou o protecionismo e todas as formas de manipulação comercial, entre elas a política monetária das nações mais ricas do mundo que provocaram "uma valorização artificial das moedas dos países emergentes". "A política monetária não pode ser a única resposta ao crescente desemprego, aumento da pobreza e falta de futuro que afeta os segmentos mais vulneráveis da população do mundo", destacou.

Para controlar a guerra fiscal e estimular a economia global, Dilma defendeu uma maior coordenação dos governos nos organismos multilaterais, tais como o G20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. "A consolidação fiscal só é sustentável em um contexto de recuperação da atividade econômica", afirmou Dilma, acrescentando que a austeridade, isolada do crescimento, "acaba derrotada por si mesma".

A economia brasileira tem sofrido com os efeitos da recessão nos países da zona do euro, uma situação que tem sido agravada pelas políticas de austeridade fiscal e a frágil retomada da economia americana.

Escalada de preconceito islamofóbico

Em seu discurso, Dilma defendeu a resolução pacífica dos conflitos que sacodem o Oriente Médio e o norte da África, criticou as intervenções estrangeiras motivadas por "interesses neocolonialistas" e criticou "a escalada de preconceito islamofóbico nos países ocidentais".

A líder brasileira condenou com veemência a violência do regime sírio. A Síria produz um drama humanitário de grandes proporções no seu território e em seus vizinhos, disse Dilma, e recaem sobre o governo de Damasco a maior parte da responsabilidade pelo ciclo de violência que tem vitimado civis, "mas sabemos também da responsabilidade das oposições armadas, especialmente daquelas que contam com apoio militar e logístico de fora". A presidente brasileira fez um apelo para a deposição das armas, enfatizando que o conflito só poderá ser resolvido pela via diplomática.

Dilma iniciou seu discurso defendendo os interesses das mulheres. "Mais uma vez uma voz feminina inaugura o debate. Para muitos, as mulheres são metade do céu, mas elas querem ser a metade da Terra", disse Dilma, defendendo os direitos e o fim das discriminações contra as mulheres.

Presidente francês pede apoio à Síria

O presidente francês Francois Hollande, por sua vez, criticou a falta de ação da ONU a respeito da crise na Síria. Ele fez um apelo para que as zonas liberadas pela oposição síria sejam protegidas, a fim de viabilizar o envio de ajuda humanitária às vítimas civis.

 

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